26 fevereiro 2004

Estatísticas perniciosas

GERMÃO DAUZ

     Relacionado com o texto escrito ontem polo colega Ramom Fórneas, hoje também eu tratarei o tema dos alcaides do PPdG. Mas fá-lo-ei dum jeito mui breve. Sabem o que opina o máximo responsável do PP na Galiza, Manuel Fraga, destes quatro escândalos? Que são uma "cuestión de estadística". Vaites, o que quer dizer isso, que se na Galiza até o momento quatro alcaides foram objecto de escândalo e três deles já sentenciados, no resto do Estado há, estatisticamente, mais alcaides do PP com delitos às suas costas? Pretende reconhecer Fraga que infringir a lei é conduta habitual dos alcaides do PP e que o acontecido até o momento na Galiza é uma pequena parte do grande iceberg da corrupção e do delito?

     Em ocasiões, e já é sabido de velho, o pior inimigo está na própria casa. Para o PP, os seus alcaides delinqüentes e, não o neguemos, Dom Manuel. Quando lhes restou importância às mortes de soldados espanhóis no Iraque por ser maior o número de vítimas em acidentes de circulação, quando justificou a suposta espionagem a Carod-Rovira afirmando que "um homem que diz se quer separar da Espanha (...) é lógico que os espanhóis saibam onde está" ou até quando sentenciou que os abusos sexuais do alcaide de Toques eram "miudezas" em comparação com o affaire Carod, bem pouco favor lhes fez aos seus.

     O que acontece no seu partido é questão de estatística, Dom Manuel? De ser certo, são umas estatísticas com certeza perniciosas e polas que você e os seus teriam de dar explicações à cidadania. Mas abofé que não o farão, pois acreditam estar para lá do bem e do mal.



O sorriso de quem se acredita infalível.


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25 fevereiro 2004

Outra de alcaides

R. FÓRNEAS
     No seio do Partido Popular 'de Galicia' teriam de fazer umha severa auto-crítica. Porquê determinadas pessoas fôrom integradas nas listas para as eleições municipais de há nove messes tendo (como tinham) contas pendentes com a Justiça? Estou-me a referir aos actuais alcaides de Sada (Crunha), 'Moncho' Ares, acusado de malversaçom de caudais públicos e de irregularidades urbanísticas; de Toques (Crunha), Jesús Ares, condenado por abusos sexuais a umha menor de idade; e de Begonte (Lugo), José Pena Rábade, condenado por acoso moral a umha trabalhadora da Câmara Municipal e recentemente também investigado por nom auxiliar a um ferido num acidente de tráfico provocado polo seu carro. Três casos aos que temos de somar um quarto: a condena ao alcaide (já ex-alcaide) da Póvoa de Brolhom (Lugo), Manuel Casanova, e ao seu predecessor, Antonio Arias, por se apropriarem de dinheiro público (concretamente, 53.189 euros) procedente dumhas subvenções da Deputaçom Provincial de Lugo. Por certo, que o Tribunal Supremo, além da condena, considerou "impróprio dum país democrático" o jeito de conceder subvenções por parte da Deputaçom luguesa.

     Todos os quatro, pequenos caciques a nível local que o Partido Popular precisa para recolectar votos no médio rural, pouco socializado em política e susceptível de votar a quem melhores promessas lhe faga (que se cumpram já é outra questom) ou a quem lhe 'caia' melhor. Estes caciquinhos fôrom-se fazendo com tal poder no PPdG, que o próprio Mariano Rajoy está agindo por se livrar deles e substitui-los por pessoas da sua confiança. Mas até hoje nom foi quem e as conseqüências ai estám para quem as quiger ver: é preferível nom ter umha Câmara Municipal a que esta esteja nas mãos do BNG ou do PSdG. Clara consigna que Manuel Fraga e os seus acólitos provinciais aplicárom à perfeiçom (veja-se o caso de Sada do que já falamos neste blogue anteriormente).

     No entanto, umha circunstância diferencia o último escândalo: a demissom do alcaide, e nom apenas o seu cesse como militante do PP que se produjo nos três casos anteriores. Claro que também a sentencia judicial o condenou a entre 4 anos seis messes de cárcere e a 7 de inabilitaçom para ocupar cárregos públicos. Ainda assim, umha pequena mostra de dignidade que de nengum jeito o exculpa da traiçom aos seus concidadãos, pois somente assim se pode descrever a actuaçom de quem rouba o dinheiro do Povo. Apesar disso, o problema de base (apontado acima) nom se subsanou, polo que nom nos teríamos de estranhar com novos episódios de escândalo.

Ver também:
  • Demite o alcalde de Pobra de Brollón e pide a baixa como militante do PP. Galicia Información.



    Os três condenados durante o juízo.


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  • 13 fevereiro 2004

    Despedida temporal

         O blogue de Pensa Galiza, como já dixemos ontem, despide-se até o dia 24 de fevereiro. Aproveitaremos este tempo para repensar o que seja mester no que é o enfoque que lhe imos dar ao blogue (mais Galiza ou mais mundo?) e, ao mesmo tempo, analisar com mais calma alguns dos acontecimentos mais recentes da nossa realidade. É mui singelo falar de Toques, de Begonte, de Sada... É mui singelo falar das eleições, da importância do voto, do atrasso e do abandono do país... É mui singelo ou, melhor, parece mui singelo, mas em ocasiões uma pouca calma é obrigada para ver melhor. Talvez um pequeno paro seja necessário. Apenas 10 dias.
         Aginha nos vemos/lemos de novo!


    Durante estes dez dias pensaremos muitas cousas.


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    LEMBRANDO A CASTELÃO (e VI... de momento)
    A realidade galega através das imagens

    Do mesmo jeito que outros autores reflectiam fielmente a realidade com as suas palavras, radiografando com umas poucas a situação do que queriam contar, Afonso Daniel Rodrigues Castelão era quem de, com uns poucos traços da sua mão, plasmar sobre o papel tudo quanto queria contar.

    Para falar do nosso país não lhe seriam precisas páginas e páginas no seu Sempre em Galiza, mas a sua sabedoria na arte do debuxo. Como poucos, ele foi um mestre da singeleza, quem de transmitir muito com mui pouco.

    A misséria...

    Assim quigessem que fosse sempre a nossa terra.
    CASTELÃO, COUSAS DA VIDA


    O mar...

    As sardinhas voltariam se os governos quigessem.
    CASTELÃO, ÁLBUM NÓS


    A língua...

    -Ese muchacho dicen que sabe muchísimo.
    -Si; pero tiene un acento tan gallego...

    CASTELÃO, COUSAS DA VIDA



    -Yo nunca sentí la necesidad de saber gallego.
    -Es que esa necesidad no se siente en la barriga.

    CASTELÃO, COUSAS DA VIDA


    O orgulho de país...

    -Se os nossos deputados fossem catalães, sacavam o ferrocarril.
    -Abondava que se sentissem galegos.

    CASTELÃO, COUSAS DA VIDA


    A praticidade...

    -Eu acreditei que iam repartir as riquezas.
    -Pois eu já me dava por satisfeito se repartissem a fame.

    CASTELÃO, COUSAS DA VIDA


    ... e muito mais!

    Todas as imagens aqui utilizadas estavam originariamente em http://castelao.tripod.com.Apenas as utilizamos para que se visualizassem bem aqui.



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    11 fevereiro 2004


    Por razões excepcionais, o capítulo que ontem lhe íamos dedicar a Castelão é posposto para a sexta-feira. Igualmente até esse dia não aparecerá nengum texto novo no blogue, que estará mais bem inactivo durante a semana posterior. Justo depois do Entruido continuará Pensa Galiza com a actividade habitual. As razões deste paro? Simples: profissionais e tecnológicas. A primeria, por obriga. A segunda, por ineptitude dos que teriam de visar pola maciça implantação da tecnologia no nosso país. Embora pareça incrível, uma parte mui substancial da Galiza ainda não possui acesso normalizado a Internet. U-la a Galiza do século XXI? Com certeza não é a Galiza do PP. Porque não interessa.

    Ler também:



    'Galiza'. Que país tão esquecido!


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    10 fevereiro 2004

    Fé de erros (II)

    EDUARDO PAIS

    O dia 22 de janeiro, na informação com nome Jornadas sobre a língua em Compostela (II), publicou-se uma informação errónea. Afirmava-se que o professor Elias Torres Feijó respondera com a frase "seria um suicídio" a intervenção feita polo professor Carlos Quiroga onde mencionava a possibilidade de os escritores galegos escreverem na mesma norma ortográfica que os portugueses. Em realidade o que dixera Quiroga fora era de os escritores galegos redigirem os seus textos numa norma diferente da de Portugal, daí a doutro jeito surpreendente resposta de Elias Torres. Procedo, pois, à rectificação do texto original.


    "A culpa é minha".




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    09 fevereiro 2004

    O mesmo talhante do chefe

    GERMÃO DAUZ

         Mariano Rajoy Brey é o candidato do Partido Popular à presidência do Governo espanhol. Apenas há uns poucos messes que soubemos que seria ele o 'afortunado' sucessor de Aznar através do método dedocrático.


         Tão asinha como o seu nome se fez público, saiu do Governo (ou apartaram-no de lá) para não luxar a sua imagem no dia-a-dia político e para não dar tampouco nenhuma explicação sobre o que for no Parlamento. As suas únicas obrigas passaram a ser as derivadas da sua condição de aspirante a presidente, principalmente no tocante à elaboração e à divulgação do 'seu' programa eleitoral enquanto o chefe lhe guarda as costas e os seus colegas de partido dão a cara por ele.


         Porém, nas últimas semanas semelha que o Mariano se acredita ganhador e que por isso saiu do seu tobo para atacar e menosprezar os seus rivais políticos. Sim, exactamente igual que o chefe, lançando dentelhadas dialécticas contra aquele que se mova minimamente da linha traçada polo PP sobre o que é bom e o que é pernicioso. E quando não há argumentos, inventam-se, que já irão os meios afins aperfeiçoando-os e repetindo-os incessantemente até que se convertam em 'verdades' indiscutíveis. E quem não acredite, será um proetarra, um antiespanhol ou algo assim. Vamos, que ladra o cão e orneiam os burros.


         Ao mesmo tempo, quando o 'candidatíssimo' é interpelado sobre os problemas do seu partido (já sabem: Sada, Toques, Begonte...) ou sobre as questões de/do Governo (o AVE, o Plan Hidrológico Nacional, o subministro eléctrico, a Educação, etc.), ele, o Mariano, ou não sabe ou como não está no Governo não tem por quê dar nenhuma explicação. "Pergunte-lhe a Zaplana", "Carod-Rovira negociou com a ETA". Vaites, acabo de ter um déjà vu! Acredito que vi já antes estes comportamentos.



    O candidato Mariano tem o seu passado aí perto... GONZALO, A NOSA TERRA



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    O voto emigrante

    GERMÃO DAUZ

         Nas videiras eleições, que serão o 14 de março, um amplíssimo número de emigrantes de origem galega hão poder votar para ajudarem a dirimir a composição do Parlamento e do Governo espanhóis.


         Para captarem o seu voto, importantes cárregos de cada partido irão fazer alguma viagem a países com um altíssimo número de galegos, como a Argentina, o Uruguai ou mesmo a Suíça. No entanto, também os Centros Galegos radicados em mui diferentes cidades de todo o mundo exercerão um importantíssimo labor propagandístico mais do que coordenador e informativo.


         Haverá promessas, muitas promessas, principalmente destinadas aos descendentes dos emigrantes: concessão da cidadania, viagens à Galiza, subsídios especiais, maior facilidade para a inserção laboral, etc. Pola sua própria experiência, qualquer emigrante pode afirmar que essas promessas não se cumprem nunca... ou só numa pequena parte. Eu o que faria seria lembrar-lhes uma cousa mui óbvia: se no canto de os representantes dos partidos prometerem unicamente cousas para os emigrantes e não para o país... desconfiem! Não fagam caso, porque aí há trampa oculta: somente estão a jogar com os sentimentos e com as necessidades dos nossos emigrantes, dessas gentes que erguêrom o país com o suor da sua frente e dos que o Estado (independentemente do partido que o lidere) só se lembra nestas ocasiões tão cruciais para o futuro.


         Mas há também um paradoxo mui curioso: os emigrantes galegos são galegos, por isso podem votar, mas realmente não existem para o seu país de origem. Explico-me. Imaginemos a província galega 'X'. Essa província tem uma população residente com direito ao voto de 300.000 e 20.000 mais adicionais na emigração. Ambos os dous colectivos de votantes (residentes e emigrados) poderão exercer o seu direito de escolher nas Eleições Gerais os representantes da sua província para o Parlamento. Ora bem, para dirimir quantos representantes pode ter essa província no Parlamento, apenas se conta a população residente, discriminando os emigrados. Jogando agora com nomes reais, por mor dessa circunstância legal-eleitoral, a província de Ponte Vedra perderá um representante, e já vão três que perde desde a chegada da democracia. Polo alto índice de envelhecimento da Galiza, cada uma das quatro províncias seguirá a perder população e, conseqüentemente, representantes no Parlamento. Conclusão: a Galiza está a perder peso eleitoral no global do Estado. De que serve que os emigrantes podem votar se não os tenhem em conta para escolher o número de representantes provinciais, que se supõe que são os que defenderão os interesses galegos? Se os imigrantes computassem, a Ponte Vedra não perderia um deputado, e Lugo e Ourense, com um alto número de cidadãos na Emigração, até ganhariam mais peso político. Até hoje, somente um partido na Galiza denunciou claramente essa anormalidade democrática que constitui um claro desprezo aos emigrantes. E tudo isso mentres os dous grandes partidos espanhóis se beneficiam da conjuntura legal-eleitoral.



    - E para que são dos deputados?
    - Eu não sei, meu filho.


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    08 fevereiro 2004

    Comentários, comentários, comentários


         De comento, e de jeito experimental, habilitamos a já tão freqüente opção de envio de comentário aos textos aqui publicados. A opção aparece arriba dos textos, não abaixo (é doado trabucar-se). Quando cliqueis para enviar um comentário abrir-se-á uma pequena janela emergente que será onde tenhades de pôr (se quereis) os comentários que queirais fazer. Clicando no signo "?" pode-se acessar a algumas opções que de primeiras parece que não existem... mas como todas as surpresas, lá estão! Em ocasiões, os comentários enviados tardam uns segundinhos em ser processados (cousas destas tecnologias que ainda andam em cueiros).

         Por certo, o Movimento Defesa da Língua vai organizar o 28 de fevereiro um Fórum da Língua onde se debaterá e analisará tudo o referente à língua galego-portuguesa (situação, campanhas, iniciativas, etc.). Segundo a notícia aparecida no Portal Galego da Língua, o que se pretende é que "cada colectivo explique as suas experiências, a sua dinâmica actual, as suas necessidades, e proponha possíveis soluções às problemáticas que surjam", e também que "qualquer pessoa ou colectivo apresente propostas de planificação para o trabalho normalizador de aqui até um seguinte Fórum da Língua". Haverá que estar logo lá, ou?


    Bâner do Fórum da Língua.



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    06 fevereiro 2004

    Uma vergonha difícil de ocultar

    EDUARDO PAIS

         Na Galiza seguimos precisando um jornal na nossa língua. Um jornal em condições. Galicia Hoxe, apesar de que se subtitula Único diario en galego (sic), está mui longe de ser o que este país chamado Galiza precisa. E não falo já desde um ponto de vista político-cultural que representa essoutra necessidade de meios de comunicação realmente galegos e fortes e solventes para regredirem/regredirmos a colonização do país -sobretudo a mental-. Apenas estou falando da questão lingüística.

         Desde o ponto de vista lingüístico, poderia criticar Galicia Hoxe por partilhar o isolacionismo lingüístico. Poderia criticá-los por não aplicarem ainda integramente os últimos câmbios na normativa isolacionista -aprovados há mais de meio ano-. Mas não o fago. Não estou a criticar esses lamentáveis factos neste artigo. Critico um jeito de actuar que me parece duma grande vergonha: o desleixo, nomeadamente o lingüístico.

         Se alguém leu alguma vez Galicia Hoxe, imagino que repararia na péssima colocação dos pronomes, na ausência do infinitivo conjugado ou do futuro de subjuntivo, na proliferação das construções castelhanas e outros atentados contra a língua na que dizem escrever. Porém, resulta especialmente preocupante a escassa capacidade deste meio de comunicação para a produção própria de conteúdos -com as excepções dos seus suplementos/secções Revista das Letras e Maré, e nem sempre-, até o ponto de que a maior parte dos seus textos são traduções do castelhano, desde algumas colunas de opinião -como as de Pedro Puy ou Pilar Cernuda- até a informação desportiva.

         E o desleixo à que aludo mais arriba chega ao ponto de que as traduções do castelhano ao 'galego' as fam pessoas sem excessiva formação na nossa língua e com a ajuda de programas de tradução de textos, o que explicaria boa parte dos "atentados contra a língua" que lá dixem. O que de primeiras pode parecer uma suspeita um pouco arriscada, cobra certeza se um (re)conhece o módus operândi do software de tradução, que não respeita nem topónimos nem nomes próprios. Então, quando um vê que ao showman Manel Fuentes o renomeiam 'Fontes' ou ao treinador de futebol Gregorio Manzano lhe põem por apelido 'Maceira' -e não são casos isolados-, a evidência do desleixo é tão grande que indigna primeiro e preocupa depois.

         Não cumpre ter excesivos estudos para ser consciente do que se passa: não interessa um jornalismo diário de produção galega em galego e com qualidade. E ainda por riba tenhem o atrevimento de se proclamarem Único diario en galego. Manda chover na Havana!


    Galicia Hoxe pratica um desleixo lingüístico
    que não pode deixar indiferente a ninguém.


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    A 'NORMALIZAÇÃO' DO ESPANHOL (e V)


    A verdade da 'normalização' do castelhano e duma normalização para o galego


    J. P. GASAMÁNS


    Por ser este o derradeiro texto que lhe dedico à questão da 'normalização' da língua castelhana nas nações onde não é a língua própria, procurarei ser muito mais esquemático e pôr os suficientes exemplos escritos como para que não se faça dura a leitura por causa da minha (se calhar) deficiente redacção. Resumirei a verdade da 'normalização' do castelhano e da visão deste idioma como 'nacional' espanhol nos seguintes pontos:


    • O castelhano é uma língua de comunicação internacional. Então, as outras línguas são inferiores e o seu uso é até nocivo para os seus falantes, porque se veem privados duma grande e útil ferramenta:


      "Se comprende el argumento defensivo de quienes desean que se afiance su lengua propia, cuando no es el castellano. No compiten con otra lengua de similar empuje (el catalán con el gallego, por ejemplo), sino con el castellano. Que es, como digo, una de las pocas lenguas de comunicación internacional y que va a más en el mundo. Aunque la enseñanza obligatoria se realice en catalán, vascuence o gallego, los educandos no perderán el castellano hablado. El problema para ellos es que sí perderán el castellano escrito. Lo cual será, a la larga, un obstáculo para que puedan encontrar un empleo técnico o directivo. En cuyo caso la “inmersión” en esas otras lenguas habrá supuesto un serio quebranto para el futuro profesional de esas personas. Serán los zagueros del juego laboral". Amando de Miguel.


    • A imersão é negativa, e sob supostas razões pedagógicas de que as crianças não têm formados os esquemas de compreensão mínimos na língua própria, não se repara em que em são muito escassos os lugares no mundo onde os imigrantes são educados na língua própria. Por exemplo na Espanha, onde praticamente todos os imigrantes (por exemplo, galegos em Madrid ou marroquins na Andaluzia) são 'vítimas' da imersão. E de facto, a estratégia contrária é considerada nociva para a sua integração. Mas, reitero, isto aos emigrantes não é válido quando se refere ao castelhano, e eis dous (engraçados? estultos e indignantes?) exemplos:


      "Esto se ha comprobado [o 'nocivo' da imersão] recientemente en las escuelas públicas de California con los chicanos, en los que se ha comprobado que con la inmersión prematura en inglés antes de dominar su lengua materna española, no llegaban a dominar luego ni el español ni el inglés. Así, en esas escuelas se les enseña primero en español, y cuando llegan a dominar bien este idioma, entonces practican con ellos la inmersión en inglés, que de esta forma asimilan perfectamente como segunda lengua, sin ningún trauma". FADICE.


      "Derivación sociológica importantísima será la frustración de miles de inmigrantes, que habiendo consentido, y aun algunos pedido, la inmersión para sus hijos, -porque les dijeron que así aprenderían más rápidamente y mejor la lengua regional, garantizándoles que después podrían seguir estudios que les redimirían de su condición obrera- van a ver luego a estos hijos incapacitados para tales estudios, por lo que se verán obligados a los mismos trabajos de peonaje que ellos tuvieron. Si esto es o no previsión maquiavélica de la burguesía nacionalista, el tiempo lo dirá; pero lo cierto es que con esta forma de inmersión queda por el momento asegurada la mano de obra barata, en previsión de un futuro sin la tradicional inmigración de regiones de habla castellana, que ya no se producirá, a consecuencia de las imposiciones lingüísticas". FADICE.


    • A normalização das outras línguas não é, justamente, algo 'normal', porque ao ser a Espanha "una nación con cinco siglos de Historia", essa 'normalização' é um retrocesso. Para além da falsidade da afirmação (a Espanha não é nação e não tem nem muito menos cinco séculos de História), temos de remarcar a idenficiação de 'nação espanhola' bem com a Hispânia romana ou bem com a fusão (melhor, 'federação') das coroas castelhana e aragonesa. Essa união não supôs que na zona catalano-falante de Aragão (Catalunha, Valência, Ilhas Baleares e uma zona da ilha da Sardenha) se introduzisse o idioma dos castelhanos, pois isto (com certa excepção em Valência) não aconteceria até mais de dous séculos depois. No entanto, isto é o que eles dizem:


      "Lo normal ha sido precisamente todo lo contrario, y lo mismo puede afirmarse respecto a la enseñanza de estas lenguas en las otras regiones. Por lo que dicha normalización, en el sentido en que se ha tomado -vuelta a su uso normal-, de no referirse a la época de antes de la Guerra Civil, no deja de ser algo aleatorio. Porque estas lenguas, aunque algunas hayan tenido una preciosa literatura medieval, fueron lenguas más bien de uso familiar y aun de gobierno local después de la formación definitiva del Estado español y de la aceptación del castellano como idioma común de entendimiento; idioma no impuesto por ninguna ley especial". FADICE.


    • O de "idioma no impuesto por ninguna ley especial" não merece nenhuma réplica, pois já está dito em textos anteriores. No entanto, merece atenção que para estes indivíduos, o lógico (e, pois, desejável, embora nem sempre o afirmem) é a substituição das outras línguas pelo castelhano e não ao invés:


      "¿Cuál hubiera sido la marcha normal de la dinámica sociolingüística en Galicia, en la competencia entre castellano y gallego, si no hubiera incidido sobre ella el movimiento que culmina en el Estatuto de Autonomía, todo el fenómeno de la Transición política del franquismo a la democracia? Para mí [Manuel Jardón] la respuesta es clara: hubiera desaparecido el gallego.

      ¿Por qué? Porque, siendo el castellano el idioma urbano, el idioma culto, el idioma más conveniente para desenvolverse en la emigración, el idioma del ascenso social de los gallegos, al urbanizarse la población, al generalizarse la escolarización, al difundirse masivamente la radio, la televisión y la lectura, al haber mucho mas intercambio espacial por el turismo, aunque haya descendido últimamente la emigración, las nuevas generaciones se pasarían cada vez más al castellano
      ". Manuel Jardón.


    • Não se faz nenhuma crítica aos métodos ou condicionantes para o abandono destes línguas em detrimento do castelhano e, quando se faz, dize-se também que as línguas pré-romanas foram abandonadas em detrimento do latim e que a ninguém se lhe ocorre recuperá-las agora. Porém, a diferença é óbvia e exemplifico-a mais uma vez no caso galego: no caso das línguas galaicas, substituidas pelo latim, temos que os galaicos hoje já não existem; no entanto, no caso da língua galega, substuindo-se pelo castelhano, temos que existem os galegos (denominação que deriva, sim, de 'galaicos'). Defendemos, pois, uma língua dum povo ainda vivo, e somente essa sobrevivência da língua possibilitará a existência como povo.


    • O uso doutras línguas diferentes do castelhano no Reino Unitário da Espanha está considerado por estes 'demócratas' como "fanatismo", e embora no discurso politicamente correcto se tolere a sua oficialidade, é manifesto que esta oficialidade lhes resulta ofensiva:


      "Defender las lenguas minoritarias es una posición muy loable, siempre que no vayan en detrimento de cosas más importantes, pero legislar sobre ellas es un verdadero disparate". AGLI. Carta ao presidente aragonês Marcelino Iglesias Ricou (1999).


      "(...) por correo aparte, le envío un ejemplar del libro de D. Manuel Jardón (...), donde muy diáfanamente encontrará una buena colección [de argumentos contra a normalização lingüística], que espero le convencerán para no entrar en el agujero negro en el que pretenden meter a los ciudadanos de la región si siguen por ese camino (evito usar aragonés para que no adquiera el carácter fanático que ya implican catalán, vasco y gallego)". AGLI. Carta ao presidente aragonês Marcelino Iglesias Ricou (1999).


    • No fundo, temos que as reivindicações favoráveis ao castelhano se circunscrevem ao projecto nacionalista castelhano-espanhol (daí o de 'idioma comum espanhol'):


      "Somos conscientes de que las dificultades serán insalvables en tanto que otro gobierno auténticamente integrador de la nación española no ponga coto a estos nacionalismos provincianos, aunque desgraciadamente muy operativos". FADICE.


      "No queremos pensar en las consecuencias previsibles que la política linguistica expuesta (...), consentida y aun financiada por los sucesivos gobiernos españoles de la transición puede tener para la indisoluble unidad de la Nación española, “Patria común e indivisible de todos los españoles”, que establece el artículo 2 de nuestra consensuada Constitución". FADICE.


  • Estes colectivos são firmes aliados do separatismo linguístico galego ou catalão, seguindo a máxima do 'divide e vencerás'. Assim, um destes grupos autodenomina-se como Asociación en Defensa del Ibicenco y del Castellano, que como se desprende do seu nome, defende a 'língua ibicenca', variante dialectal catalã que se fala na ilha balear de Eivissa. Mais uma vez, o objectivo de defesa (linguística) do nacionalismo espanhol subjaze em todas as suas atitudes.


    Resumindo, para este amplíssimo grupo de demócratas (que particularizamos em na FADICE), somos apenas um exotismo. Eles 'suportam-nos' a câmbio de aprendermos a sua língua (a da 'nação'), graças ao que se manteria a 'lógica deriva' de imposição do castelhano na Espanha, com o que a denominação de 'espanhol' já teria realmente sentido. 'Projecto Nacional Espanhol' é a verdade latente sob a cacarejada 'Normalização do Espanhol'.


    E no que respeita à normalização da língua galega, que implicaria isto? Implicaria algo muito diferente do 'permitido' pelos grupúsculos nacional-linguísticos espanhóis. Implicaria a (re)conversão da língua galega em língua normal. Sendo a Galiza uma nação, implicaria a sua (re)conversão em língua nacional. Com essa finalidade teria de, primeiro, recuperar a sua História e a sua identidade: (re)integrar-se consigo própria e inserir-se plenamente na Lusofonia. Depois, teria de ser a todos os efeitos única língua oficial na Galiza. Tudo o que não seja isso, tudo 'bilinguismo harmónico' que nos queiram vender será a tácita morte do português da Galiza, bem idiotizado como dialecto regional do castelhano, bem como abandonado dos seus usos orais e escritos pela população galega. Cumpre remarcar muito chãmente que é impossível qualquer bilinguismo, pois desde o mesmo momento no que o estatus e situação das duas línguas diverge, também o faz o seu destino. O destino do galego (ou português da Galiza) se não se (re)converte em língua nacional é a desaparição da Galiza e da Galiza como nação. Enquanto isso se faz, o castelhano será cada vez mais normal no nosso país (e noutros se não tomam as medidas ajeitadas). Isso sim é, com certeza, normalização do espanhol.



    Cartaz repartido nalgumas zonas
    da Galiza em 1955.




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  • 05 fevereiro 2004

    A 'NORMALIZAÇÃO' DO ESPANHOL (IV)


    A 'discriminação' do castelhano e as associações para a sua 'defesa'


    J. P. GASAMÁNS


    A legislação a favor das línguas espanholas diferentes do castelhano para paliar a sua regressão foi vista por alguns
    sectores da sociedade espanhola como uma persecução à língua castelhana. Paradigmas desta crença podem ser um par de afirmações de Manuel Jardón sobre "la dictadura de la normalización":
    • "La llamada «normalización» del gallego constituye una anormalidad histórica, sociológica y democrática,
      pues no responde ni a la tradición, ni a la realidad social, ni a la voluntad lingüística de los gallegos, que preferían el castellano
      ".


    • "En fin, todo en Galicia, aun en contra del interés, o a pesar del desinterés, de los gallegos, se orienta a
      la promoción-imposición del gallego
      ".


    Esta persecução à língua castelhana (ou também, já mal-chamada, 'espanhola') e aos seus falantes (supõe-se que "en las regiones que cuentan con otra lengua además del español") estaria instigada pelos nacionalistas (supõe-se também que não pelos nacionalistas espanhóis, mas os 'periféricos'). Existe, pois, uma firme convição de que a persecução do castelhano e o nacionalismo são factos inseparáveis:


    • "FADICE (Federación de Asociaciones por el Derecho al Idioma Común Español). Nació para testimoniar la
      realidad de los nacionalismos periféricos, pugnando contra la existencia de un idioma común español
      ".


    • "Hoy nadie puede negar, ni la pluralidad lingüística española, ni las pretensiones de los nacionalismos. Lo
      verdaderamente absurdo es que los Gobiernos españoles hayan abandonado a millones de ciudadanos de lengua materna y usual española, e incluso se pague en miles de millones del erario público la imposición de estas lenguas regionales con la consiguiente erradicación del idioma español
      ".


    • "Otro factor antipedagógico es el miedo; el aprender una lengua por miedo a ser mal considerado, y a que los
      hijos no encuentren trabajo si no dominan la lengua regional. Esta monstruosidad, por completo antidemocrática,
      gravita sobre la masa de castellanohablantes de estas regiones, de manera especial en la catalana y en la vasca, en
      las que un agresivo nacionalismo
      ".


    Aí arriba aparece uma cita referente à FADICE. Esta federação é resultado da agregação das catalãs
    Asociación Cultural Miguel de Cervantes, da Asociación por la Lengua Española en la Administración de
    Justicia
    , CADECA (Cordinadora de Afectados en Defensa del Castellano); das galegas AGLI (Asociación Gallega para la Libertad de Idioma); da basca VELEIA, que visa a defesa dos castelhano-falantes de Araba; da valenciana Asociación Valenciana de Castellanohablantes e das baleares Plataforma Balear e mais da Asociación en Defensa del Ibicenco y del Castellano. Poderia-se dizer que os movimentos que procuram a normalização do castelhano se estruturam arredor da FADICE, que apesar de contar com um número muito reduzido de membros, possui simpatizantes (em acto ou potenciais) em tudo o nacionalismo espanhol.


    Se bem a reivindicação de normalização da língua quer for é de louvar, cumpre destacar que estas associações defendem o castelhano nos territórios nos que não é língua própria. Numa linguagem politicamente correcta, advogam pela convivência entre as duas línguas, um bilinguismo mais bem harmónico que sobejamente sabemos que é impossível, pois num mesmo território nunca pode haver coexistência pacífica entre a língua autóctone e a forânea porque:


    - cada uma das línguas tem conotações de estatus social, económico, político, religioso, etc.

    - uma das línguas será a que cope os níveis considerados 'cultos' e, pois, de Poder.

    - as duas línguas nunca estarão em posição de igualdade, pois o empate entre recursos (económicos, demográficos, etc.) é desigual nas sociedades actuais.

    - em situações de desigualdade entre línguas, uma delas puxará por absorver a outra (dialectalização) ou por lhe acaparar os falantes (tendência à redução das línguas)


    Então, no caso da Galiza, a tendência é a que uma das duas línguas (o castelhano) se imponha sobre a outra (o galego) e através dos mecanismos já vistos (imposição directa e imposição indirecta). A defesa da igualdade entre as duas
    línguas apenas produzirá a desaparição da mais débil, e é esse o problema a atalhar pela normalização. Porém, a
    concepção acima dita da FADICE sobre a "existencia de una lengua común" e mais as minhas últimas afirmações
    abrem-lhe a porta ao seguinte texto, o quinto e derradeiro, que retoma até certo ponto a construção (teórica) da
    língua nacional espanhola, mas desde o ponto de vistas destes colectivos para podermos entender (e rebater) a
    sua idiossincrasia, assim como o que implicaria a existência duma verdadeira 'normalização' da língua galega ou
    português da Galiza.



    Carta ao director em El Correo Gallego
    onde se trata a 'imposição' do catalão
    aos castelhano-falantes da Catalunha.


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    04 fevereiro 2004

    A Galiza, com voz

    GERMÃO DAUZ

    O 14 de março serão as eleições ao Congresso espanhol dos Deputados espanhóis. E apesar do que muitos/as cidadã(o)s da Galiza acreditem, há abondas cousas em jogo para a Galiza: nem mais nem menos que adquirir voz e voto, presença própria, para defender os seus direitos sem nengum intermediário.

    Pessoas dum espectro político mui amplo, mas unidos polo sentimento de pertença a um país chamado Galiza, debater-se-ão entre que opção política escolherem para que tanto os seus interesses como os do país sejam defendidos sem condições. Haverá galeguistas de tendência conservadora que se deixem levar por esse critério e pola confiança em pessoas do seu entorno e votem polo PP. Outros, acreditando na 'Espanha plural' e nas suas convicções socialistas, mui possivelmente terão no PSdG-PSOE a sua opção. A imensa maioria dos e das nacionalistas considerarão que a melhor eleição possível é a representada polo BNG.

    No entanto, eu faria algumas considerações.

    • Aos/às que pensárom no PP, lembrar-lhes a submissão sem condições deste partido às ordens chegadas desde Madrid, sem capacidade de actuação autónoma. Tal dependência é prejudicial em tudo momento para o nosso país (já o comprovamos com o Prestige e noutras situações problemáticas), e somente lhes reporta benefícios dalgum género ao Governo central e aos subsidiários do seu poder na Galiza.
    • Aos/às que pensárom no PSdG-PSOE, lembrar-lhes-ei o mesmo que aos/às anteriores e, ademais, a dualidade/rivalidade existente entre PSdG e PSOE ou, o que é o mesmo, entre a linha galeguista e a linha nacionalista espanhola existente neste partido e que o que faz realmente é converter esta formação política em irrelevante a nível de decisões (tudo se faz em Madrid) ou em ineficaz (Madrid pode paralisar quaisquer iniciativas próprias encetadas desde a Galiza).
      Aos/às dous/duas tipos de votantes dir-lhes-ia também que muitos parlamentários da Galiza tanto do PP quanto o PSdG-PSOE não aparecêrom na Câmara para defender o país que os escolheu e que, ainda por riba, o BNG, com toda a sua escasa presença quantitativa, fizo qualitativamente muito melhor trabalho e muitas mais propostas parlamentares que os outros juntos.
    • No caso nacionalista, também os/as haverá que se neguem a votar polo BNG ao considerarem pouco comprometido com os direitos nacionais ou por compartilhar na prática (que não na teoria, posto que a tem bastante dividida) o isolacionismo lingüístico. Igual que os/as arriba mencionados, estão no seu legítimo direito de fazerem com o seu voto o que achem mais proveitoso. Ora bem, eu também estou no meu direito de afirmar que tirando o voto o que se faz é prejudicar o único partido galego sem ataduras com Madrid e que tem uma certa presença no país e fora dele (quer dizer, entre colectivos de emigrantes).
    • E já quase me esquecia dos partidários do voto em branco, do voto nulo ou da abstenção. Louvável a sua proposta de cambiar do sistema... situando-se fora dele. No entanto, com a prática já vimos que os únicos beneficiados destas atitudes são os grandes partidos. Claro que, já se sabe, o ser humano é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra, assim que...


    Com certeza, há muito em jogo para a Galiza o 14 de março. Depois do Prestige e dos escândalos de todo tipo nos que o nosso país estivo a mercê de decisões tomadas desde fora, é a hora de pensar Galiza, de pensar BEM o voto. Tenho esperança nisso.


    Que não se prive à Galiza
    de ter voz própria.



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    A 'NORMALIZAÇÃO' DO ESPANHOL (III)

    As leis de normalização linguística


    J. P. GASAMÁNS


    Desde os temos da Ilustração já se falava na Galiza da necessidade de (re)introduzir o galego no Ensino (por exemplo, o padre Sarmiento), circunstância básica em qualquer previsão de normalização duma língua. Durante o século XIX foram também muito variadas as vozes favoráveis a que a língua galega tivesse algum género de oficialidade à par do castelhano; posturas muito (se calhar, demasiado) moderadas em relação com o que pediam os catalães: o monolinguismo em catalão nos Países Catalães. Não seria até a II República espanhola quando por primeira vez um texto legal permitisse usos 'elevados' das outras línguas espanholas diferentes do castelhano, embora supeditadas a esta:


    "Las regiones autónomas podrán organizar la enseñanza en sus lenguas respectivas, de acuerdo con las facultades que se concedan en sus estatutos. Es obligatorio el estudio de la lengua castellana, y ésta se usará también como instrumento de enseñanza en todos los centros de instrucción primaria y secundaria de las regiones autónomas".


    Na II República somente se aprovaram três estatutos de autonomia, estatutos 'nacionais' poderíamos dizer: o basco, o catalão e o galego. Nos três quedava patente o caracter de co-oficialidade que as línguas basca, catalã e galega teriam nos seus respectivos territórios. O ponto de máxima oficialidade estaria na Catalunha, devido à conjunção de dous factores: número de falantes e prestígio dos mesmos (acumuladores do poder económico e político da nação), e ainda assim, as quotas de oficialidade vistas hoje antolhar-se-nos-iam irrisórias:



    • Estatuto de Autonomia catalão: "O idioma catalão é, como o castelhano, oficial na Catalunha. Para todas as relações oficiais da Catalunha com o resto da Espanha (...) o idioma oficial será o castelhano. Toda resolução ou disposição oficial ditada na Catalunha terá de ser publicada nos dois idiomas.(...) Dentro do território catalão, os cidadãos (...) terão direito de escolher o idioma que prefiram nassuas relações com os tribunais, autoridades e funcionários de todas as classes, tanto da Generalitat como da República, e todo escrito ou documento oficial que se apresente ante os tribunais de Justiça, redactados na língua catalã, terão de ir acompanhados da correspondente tradução castelhana, se assim o solicita alguma das partes".


    Porém, no 1939 tão pronto como o texto veu, o texto marchou... ou melhor dito, foi silenciado pela contundência das armas: ganharam os ultranacionalistas espanhóis a guerra encetada em 1936.


    A legalização a efeitos internacionais do Alçamento fascista (monárquicos ultranacionalistas vs republicanos federalistas) aconteceu em 1975 com a morte do ditador e a posterior consolidação da monarquia dos Borbões com Juan Carlos I como chefe de Estado sucedendo o ditador Francisco Franco. Redigidos e aprovados os Estatutos de Autonomia basco, catalão e galego, começavam a andar as primeiras leis de normalização para as línguas espanholas diferentes do castelhano das comunidades com estatutos de nacionalidade: as três anteriormente citadas.


    Estas leis foram redigidas, denegados alguns dos seus pontos por inconstitucionalidade, revistas, aprovadas, actualizadas, etc., com a pretensão de fazerem o máximo possível dentro das margens aceites pelo nacionalismo espanhol. Com a sempre triste excepção da Galiza, onde os aliados do separatismo linguístico e os nacionalistas espanhóis (que moitas vezes os dois eram o mesmo) ajudaram (consciente ou inconscientemente) a que a lei de normalização do galego (português da Galiza castelhanizado, praticamente um crioulo) fosse mais questão estética que de efectividade, quase uma eutanásia activa para a única língua própria da Galiza.


    Essencialmente os objectivos destas leis eram:



    • Declaração das línguas autóctones como línguas próprias da sua nação (isto vinha permitido polos seus Estatutos).

    • Discriminação positiva: incentivos à elaboração de teses doutorais, publicação de livros, criação de publicações, anúncios publicitarios e campanhas, etc., na língua autóctone em detrimento da alheia.

    • Obrigatoriedade de conhecimento da língua própria para aceder à Administração autonómica.

    • Presença da língua própria em todos os níveis da educação e fixação de matérias mínimas ou de modelos educativos que permitissem a educação na língua do país.

    • Introdução da língua própria noutras esferas da sociedade (Justiça, Medicina, Comércio, etc.).


    A aplicada ao catalão (a única que demostrou ser realmente efectiva e capaz de deter a sangria de falantes) foi, evidentemente, a mais polémica. E foi-o por aplicarem o procedimento da imersão linguística, que apenas é imergir as crianças na língua catalã para que não lhes resulte alheia. Se vivem na Catalunha, não é lógico aplicar este critério, sejam catalano-falantes ou não? Não se faz isso com os estrangeiros que vêm a regiões espanholas de fala castelhana? Este importantissimo ponto será tratado mais adiante e em maior profundidade, pois oculta algumas razões do que mais adiante se dará em chamar Normalização do Espanhol.



    O Estatutos de autonomia da República
    permitiram por vez primeira a oficialidade de línguas
    diferentes do castelhano na Espanha. Na imagem,
    a capa do Estatuto catalão de 1932.



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    03 fevereiro 2004

    A 'NORMALIZAÇÃO' DO ESPANHOL (II)

    As vias de imposição do castelhano


    J. P. GASAMÁNS


    Que o idioma dos castelhanos se foi impondo em toda a Espanha por ser considerado por muitos cidadãos como uma via de
    progresso e de ascenso social, é um facto sobejamente conhecido. A questão é: como se chegou a essa
    situação
    ?


    A imposição na Galiza começou claramente no século XV, quando a raínha Isabel a Católica de Castilha
    decidiu agir segundo o 'programa ideológico' do seu gramático, Antonio de Nebrija. Para ser mais exacto na
    minha apreciação, a Católica pôs em prática a seguinte afirmação:


    "(...) después que vuestra Alteza metiesse debaxo de su iugo muchos pueblos bárbaros et naciones de peregrinas
    lenguas, et con el vencimiento aquellos ternían necessidad de recebir las leies quel vencedor pone al vencido, et con
    ellas nuestra lengua
    (...)".


    Muito asinha se impôs legalmente que os escribas apenas poderiam fazer o seu trabalho na língua castelhana dentro da
    Coroa de Castilha. Para a língua asturiana não supôs um grande câmbio, pois não se escrevia, mas para o português da
    Galiza foi o começo dos seus Séculos Escuros, quer dizer, a quase total desaparição do português como língua
    escrita na coroa castelhana.


    A completa imposição do castelhano chegou com o primeiro Borbão (como já disse no primeiro texto), Filipe V,
    duque de Anjou, através dos seus Decretos de Nueva Planta com os que castigou os seus opositores
    (essencialmente os 'rebeldes' da Coroa de Aragão). O castelhano passava a ter 'patente de corso' para ocupar todos os
    espaços da vida. No entanto, mais uma vez houve um dislate entre a Catalunha e o resto das nações minorizadas do
    Estado, pois até instituições tão reaccionárias como a Igreja agiram em não poucas ocasiões pela língua própria do
    país.


    Na segunda década do século XX produziria-se a generalização da educação em castelhano mercê à ditadura de Miguel
    Primo de Rivera
    . Nos territórios onde o castelhano era pouco menos que um exotismo (como o rural galego),
    aplicou-se em toda a sua expressão o dito espanhol "la letra con sangre entra": um autêntico terrorismo
    psicológico que chegava a penar fisicamente a utilização doutra língua. E aqui chega a novidade da imposição
    indirecta
    : o abandono da língua própria por mor da conjuntura política, social e económica imposta de jeito
    directo por factores mormente exógenos ao país.


    Podemos culpar àqueles pais e mães que preferiram educar a sua prole na língua de progresso e de ascenso social?
    Podemos culpá-los por lhes pretenderem evitar às crianças os sofrimentos por eles padecidos? Podemos acreditar na sua
    culpabilidade por se avergonharem da sua língua quando as circunstâncias eram adversas? De acreditarmos na inocência
    das vítimas face os verdugos, a resposta tem de ser um simples e rotundo NÃO.


    Imposição directa (através de leis e de atitudes desde o Poder) e imposição indirecta (conjuntura social derivada da
    anterior e inserida num marco económico) foram os métodos para converter o castelhano em língua quotidiana na Galiza,
    em Astúrias, no País Basco... em detrimento das línguas autóctones. Cumprirá ter isto em conta para entendermos
    factos que mais adiante se contarão também dum jeito muito simplificado.




    Os Decretos de Nueva Planta uniformizaram

    totalmente o Reino da Espanha. Eis uma

    imagem do Libro de los Fueros de Valencia.



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    Continuam as porcarias em Sada

    No concelho crunhês de Sada, onde um então militante do Partido Popular, Ramón 'Moncho' Rodríguez Ares conseguiu a presidência da câmara municipal graças ao apoio dum trânsfuga socialista (ver os artigos Um trânsfuga socialista, um alcaide fascista e 'Tomadura de pelo' do Partido Popular'), vem de fazer a sua última porcaria. No passado pleno municipal, o agora alcaide acordou subir em mais dum 99% o seu soldo e mais o dos seus concelheiros, com o que passa a cobrar praticamente o dobre que o seu predecessor, o nacionalista Abel López Soto.

    "Eu baseio o meu soldo em levar 26 anos dedicado à política", respondeu-lhe Ares ao ex-alcaide do BNG, e remarcou com uma outra jóia que "aos vizinhos não lhes importa o que ganhem os políticos, sempre que fagam estradas e os soldos sejam razoáveis". A Galiza do populismo de formigão e de cimento! Ora bem, ele não falou de que pode ser inabilitado de quaisquer funções públicas pola via judicial, pois está imputado num processo polos delitos de prevaricação e malversação de caudais públicos relacionados com os seus interesses no sector imobiliário e da construção. Lembremos também que algumas das obras que tinha projectadas pouco antes de abandonar o seu posto de alcaide (perdido democraticamente nas eleições municipais do passado mês de maio de 2003) foram paralisadas judicialmente por supostas ilegalidades.

    Com certeza, podemos afirmar que o de Sada é uma autêntica porcaria. Primeiro a traidora moção de censura, depois as irregularidades no pleno municipal no que conseguiu o seu posto (onde por mor dos berros dos assistentes muitos membros do governo elegido democraticamente não puderam votar ao não ouvirem a chamada que os cominava na moção de censura), mais tarde o anúncio de reanudar as suas actividades (paralisadas judicialmente) e agora a sua suba de emolumentos. Qual será a seguinte? Restaurar o retrato de Franco no seu despacho se não o fizo já? Com certeza haverá mais um episódio mais surrealista e patético que os anteriores.

    'Moncho' Ares vem de duplicar o seu soldo e o dos
    seus concelheiros no passado pleno municipal.



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    LEMBRANDO A CASTELÃO (V)
    Firme defensor da unidade da língua

    Na sua defesa e reivindicação do país, Daniel Castelão também fazia uma defesa e reivindicação da língua. Para criar no galego um orgulho de pertença ao seu país, não duvidou em colher aqueles elementos da História da Galiza que mais proveitosos pudessem ser para esse objectivo. Não o podemos culpar por esse seu anelo de que os galegos, povo que sentia bastante vergonha de sê-lo [ler a este respeito o artigo É difícil ser galego do Portugal e Espanha].

    Se algo caracterizava a Castelão era a sua identificação da pervivência da língua com a pervivência do povo, como diz o aforismo, "morta a língua, morto o povo". E ele acreditava também nisso quando afirmava numa carta ao seu amigo José Aguirre que "se ainda somos diferentes e capazes de existir, não é mais que por obra e graça do idioma" ou repetia eloqüentemente no Sempre em Galiza "não esqueçamos que se ainda somos galegos é por obra e graça do idioma".

    Mas, como lhe transmitir a um povo retraído (no sentido no que aplica Robert K. Merton o conceito), com vergonha de si próprio, em definitiva, com complexos, orgulho por ser um povo diferenciado, nem melhor nem pior que outros? Como lhes fazer ter orgulho de país a quem eram os submetidos a um sistema de regras que lhes era alheio? Esta situação da que falamos era, em palavras do sociólogo Dr. José Pérez Vilariño:

    "La emigración aparece (...) en Galicia como la expresión más maciza de un proceso de retraimiento social generalizado ante el propio país, que resulta o aparece como económicamente inviable. La abstención electoral, la retranca o duplicidad y la auto-xenreira o baja estima de lo gallego –en particular de la lengua- no son sino expresiones cristalizadas de este mismo proceso de retraimiento en [respectivamente] (...) la política, la interacción social y el sistema simbólico de referencia.
    Cuando el gallego no contesta a una pregunta o lo hace con ambigüedad, cuando se avergüenza de hablar en la lengua de sus padres, cuando no acude a votar o cuando emigra, obedece a una misma lógica común: la imposibilidad de aceptar unas reglas de juego que le resultan perjudiciales y le son impuestas en su propio país
    ".

    Esse retraimento lingüístico procedia em boa medida da crença de que o galego era um dialecto, uma língua de campesinhos, de marinheiros, de auguadores, de ceifeiros... em definitiva, uma língua de escravos. Castelão toma um firme compromisso de derruir esses preconceitos reintegrando ideologicamente a língua da Galiza de onde nunca se deveu ter movido: o âmbito lusófono:

    "(...) nossa língua está viva e floresce em Portugal, falam-na e cultivam-na mais de sessenta milhões de seres que, hoje por hoje, ainda vivem fora do imperialismo espanhol".

    Partindo da premissa de que o galego é português (ou praticamente o mesmo que o português), o rianjeiro procurava recriar nos galegos esse orgulho de língua que lhes permitisse sair do seu retraimento e chegarem a ser um povo normal. Ele acreditava que:

    "O galego é um idioma extenso e útil, porque -com pequenas variantes- fala-se no Brasil, em Portugal e nas colónias portuguesas".

    Sendo as cousas assim, era inconcebível que os galegos preferissem o castelhano como língua de prestígio sendo a sua (o galego-português) uma língua também mui importante e relevante, polo que:

    "Nengum galego culto deve consentir que a fala do seu povo -uma fala de príncipes, que ainda é senhora em Portugal e no Brasil- seja escrava no pátrio lar, sem direito a ir à escola nem a apresentar-se como igual do castelhano".

    E embora Castelão nunca praticasse essa igualdade lingüística que defendia (se quadra por não ter os suficientes conhecimentos), é mui importante que o considerado pai do nacionalismo galego fizesse tais afirmações no seu momento, porque isso demonstra, entre outras muitas cousas, a traição à língua que fazem muitos autoproclamados 'nacionalistas' ou 'patriotas' e que praticam o colonialismo lingüístico que chamamos 'isolacionismo'.


    A Real Academia Galega e o Instituto da Lingua
    Galega
    são os defensores do isolacionismo na Galiza.


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    02 fevereiro 2004

    A 'normalização' do espanhol


    Este é o título duma série de textos -concretamente cinco- da autoria de José Pedro Gasamáns onde analisa brevemente a questão lingüística na Espanha e de como a língua mais falada está protegida não apenas por um aparato legal que a constitui como língua nacional, mas também –e em maior profundidade- por uma série de atitudes próximas do absurdo vitimismo para promover o status quo ou regredi-lo.



    A 'NORMALIZAÇÃO' DO ESPANHOL (I)

    A criação duma 'língua nacional'


    J. P. GASAMÁNS


    O Reino Unitário da Espanha é um caso muito particular dentro da Europa ocidental, e é-o por várias razões, mas fundamentalmente pela sua grande diversidade linguística. São até sete as línguas que se falam (português, asturiano, castelhano, basco, aragonês, catalão e occitano), mas apenas cinco têm algum género de oficialidade, bem com pleno reconhecimento de língua (castelhano, basco, catalão) ou bem sob forma dalgum dialecto (galego, valenciano, aranês). No entanto, apenas uma está considerada como língua nacional, e esta língua é o castelhano, que alterna esta denominação com essoutra de espanhol que se fez praticamente hegemónica desde a ditadura de Miguel Primo de Rivera.


    A começos do século XX a situação de todas as línguas espanholas era bastante diferente. Apenas o castelhano tinha plena normalidade em tudo o Reino. Com 'normalidade' refiro-me a uma situação de legalidade e de uso quotidiano em quaisquer situações (familiares, públicas, institucionais, etc.). Os outros romances espanhóis não tinham essa normalidade, mas nos seus territórios eram hegemónicas, quedando relegado o castelhano a determinados aspectos (Instituições, Igreja, Administração do Estado e algumas supostas elites sociais ou económicas) o que quer dizer que eram línguas plenamente vivas, às que somente lhes cumpriria oficialidade e prestígio para serem normais. No entanto, a língua basca era a excepção, pois se bem desde a época romana as falas bascas perderam a maior parte do seu território original, desde o século XVI a regressão foi proporcionalmente maior, quedando relegada no Estado espanhol aos espaços rurais das províncias de Bizkaia, Gipuzkoa e mais ao norte de Araba e de Nafarroa.


    O castelhano estava somente presente nos núcleos urbanizados e era apenas utilizado por umas elites sociais e económicas (com excepção da Catalunha, onde por efeito da imigração posterior à revolução industrial era a língua majoritária do proletariado, enquanto o catalão era o idioma dos patronos). Então, por que essa denominação do castelhano como língua nacional ou como património comum de todos os espanhóis? A causa e resposta à pergunta radica nas origens do Reino da Espanha. Este reino nasceu (resumindo muito a História) como fusão das coroas de Castilha e de Aragão (mas mantendo-se independentes um do outro) e com a conquista e anexação dos reinos de Granada e de Navarra. Com a posterior integração de Portugal, o projecto encetado por asturianos e galegos e culminado pelos castelhanos (unificação da Península, da Hispânia dos romanos) estava pleno. Mas Portugal não sucumbiu ao nacionalismo castelhano que inçava toda essa entelequeia política e depois da guerra de 1640 recuperou a sua soberania e rebentou as ânsias castelhanas de domínio da Hispânia. A falta da Hispânia, os castelhanos contentaram-se com o domínio sobre a Espanha, e com a chegada do primeiro Borbão (Filipe V, duque de Anjou), a Espanha passou a estar regida pelas leis, instituições e... língua de Castilha. Começava a fim da normalização do catalão na Espanha (proibido estava na França na mesma época) e reforçava-se a situação de inferioridade do português da Galiza e mais do asturiano, do aragonês e do basco. O castelhano, tanto na sua nação de origem (Castilha) quanto as outras onde era língua estrangeira (Galiza, Catalunha, Astúrias...), tinha já o estatus de língua nacional... espanhola.



    O 'polvo centralista' espanhol.



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