30 janeiro 2004

Divulgação de pensadores galegos

A secção compostelã do Movimento Defesa da Língua (MDL) está a pôr em andamento mais uma campanha a prol da língua galego-portuguesa. Nesta ocasião trata-se da divulgação de pensadores galegos, e está dirigida fundamentalmente ao público universitário. As suas previsões são de editar um folheto mensal, mas desde o MDL não deixam de advertir que seria mui útil a colaboração particular de difusão. Esta colaboração seria imprimindo e difundindo os arquivos -em formato .PDF- dos pensadores que até o momento tenhem editados, o padre Sarmiento, Manuel Murguía e Xohán Vicente Viqueira. Os arquivos estão disponíveis clicando [aqui].


Esta é mais uma campanha do
Movimento Defesa da Língua.


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29 janeiro 2004

Metáfora(s) linguística(s)

J. P. GASAMÁNS

Hoje vamos fazer um exercício de ficção, mas precisareis de bastante imaginação para me seguirdes. Tod@(s) preparad@(s)? Perfeito, pois começa a minha exposição.
- Venha!
- Sim, avante!
- ?
- Chsssss!

Podemos encetar... melhor, posso encetar o meu discurso assim: era uma vez uma fonte situada no cimo duma montanha. A fonte era uma fonte natural, por suposto, não uma construção humana. E dessa fonte manava água de tal jeito que ao escorregar pela montanha abaixo foi dando, com o passo do tempo, um rio bastante harmonioso. Não se pode dizer que fosse um rio muito grande, mas de justiça é afirmarmos -ou afirmar eu quando menos- que não era muito pequeno. Bom, digamos -digo, melhor- que era um rio normal.
- E como sabes que era normal?
Bom, afirmo que era normal porque naquela altura todos rios vinham sendo mais ou menos iguais.
- E que mais tem, tu, se total... o tamanho não importa!
Hehe, muito engenhoso tu... chegarás longe, que to digo eu. E como sigo eu agora com o que dizia? Mmm, já sei.

Pré-suponho que tod@s estudamos algo de geografia e que sabemos o que é a orografia, não é? E que também sabemos como se configura e vai mudando o relevo, verdade? Bem, com pessoas tão inteligentes é um prazer trabalhar, com certeza. Pois resulta que por circunstâncias que não vêm ao caso, o rio não foi dar ao mar, e tampouco foi dar a outro rio.
- Então, a onde foi?
Ia-o dizer agora, assim que se me permites continuar...
- ? Ó! Desculpa, meu, é que não sabia que o ias dizer agora...
Pois ia, ché, assim que não interrompas. Em tudo caso ergue a mão se não percebes, 'tá?
- 'Tá bem, 'tá bem, desculpa, oi!
Onde estava eu? Ai, sim, no do rio! Pois era que esse rio não foi nem dar ao mar nem a outro rio, senão que o seu curso se dividiu e rematou formando duas massas aquosas muito próximas, mas não iguais, pois uma delas era notavelmente maior que a outra. Mas enquanto a pequena foi medrando mercê às chuvas, à orografia e ao caudal de água que lhe seguia a chegar do rio até se converter num lago; a que era mais grande não medrou grande coisa, e até diria eu que mingou, ficando numa lagoa.
- Oi, e para isso tanta coisa?
Ainda não rematei, não viste que apenas é o começo da história?
- Desculpa-me, é que não tenho muito interiorizado o hábito de escutar...
É um defeito como qualquer outro, mas acho que neste caso é preocupante. Procura abrir bem as orelhas e interiorizar a informação.
- Feito, her kapitan!
Deuxxxxxxx...
- Assim fazem os de Malpica, verdade?
- Não, burrinho, são os de Maçaricos!
- Pois eu acredito que essa palatalização do esse final é típica dos do Morraço... Viva o Morraço livre!
- Isso, livre de cretinos como tu!
- Olhinho, que eu sou de Muros, não...!
Se o preferis marcho e bateis vós sozinhos, que tenho de ir lavar mais cérebros hoje.
(Coro de vozes) - Nãoooo! Queda connosco, Pedrinho!
Deuxxxxxxx, o que tem de aturar um...
- Guapo!
Ei! Temos aqui uma agente inimiga!
- Que não, Pedrinho, que é brincadeira...
Por precaução não te quitarei o olho de cima...
- Ui, que me fazes ruborizar...!
(Ruborizado) Ehem, ehem, melhor esquece o que disse.
- Mas não esqueças o eu que te disse a ti, torero!
Confirmado, é uma toupeira, ao calabouço! (Levam-na ao calabouço ou a algo assim) A ver se posso rematar duma vez com esta história. Deuxxxxxxx!
- ...

Ia dizer que tanto o lago quanto a lagoa apenas se diferenciavam no tamanho, porque ao ser as suas origens as mesmas, eram essencialmente a mesma coisa com excepção do tamanho e do seu emprazamento. De não ser por esses dois detalhes, eu afirmaria sem dúvida que eram a mesma massa aquosa.
- Sim, mas se se dividiu o rio, já não eram a mesma.
Oi, ché, e se a ti che cai um dente já deixa de ser igual que os outros dentes que tens na boca? Deixa de ser um dente teu porque o tenhas na mão e não nas gengivas?
- Ops, pois até dirias que tens razão...
Sim, é um mau hábito que tenho, como tendes vós o de me interromper. Por primeira e derradeira vez, afirmo que:
1.- As dúvidas afinal do meu relato.
2.- Quem me interrompa mais uma vez vai ao calabouço -ou o que for isso que tendes lá abaixo-.
- Senhor, sim senhor!
Ao calabouçooooooo!

O que dizia? Sim, já lembro... Dizia que o lago e a lagoa eram essencialmente a mesma coisa -por origens, composição, etc.-. E esqueci-me de dizer uma coisa acima por culpa de tanta interrupção: o lago e a lagoa estavam unidos num ponto, graças ao que passava algo de água duma à outra.
- Que bonitooooo!
Foraaaaaaaaaaaa!

Deuxxx! A ver se remato hoje. Queria dizer que depois houve mais um câmbio no que seria o devir das duas massas irmãs: os patos. Num momento determinado viera uma banda de patos e escolheram a lagoa como domicílio. Nadaram cima dela quanto quiseram e até lhes deu por fazer também nela as suas necessidades. Durante um tempo não se notou muito a sua presença -com excepção do seu mau efeito estético na paisagem-, e a água da lagoa podia-se seguir a beber graças a que pela união das duas massas aquosas sempre havia uma certa renovação. Mas ao se acumular tal quantidade de excrementos, o conduto de união fechou e a lagoa ficou próxima do lago mas no fundo, isolada. E claro, com essa situação, a água da lagoa pouco a pouco foi tornando imbebível, até se chegar à situação de que nalguns pontos da lagoa havia já mais excrementos de pato que água, e mesmo noutros pontos a situação era tal que um não poderia diferenciar se o que via eram excrementos, água ou metade e metade.
- Que nojo!
- Com certeza!
Deuxxxxxxxxxxxxx!

(Para dentro:) Paciência, paciência! (Para fora:) E chegad@s a essa situação, o que fazer para que a água da lagoa fosse mais uma vez bebível? Venha, já podeis falar.
- Eu... eu... eu beberia água da chuva.
- Acredito que o que faria qualquer pessoa com sentidinho seria fazer furados no chão até dar com água soterrânea para depurar a lagoa.
- Tecnicamente interessante, mas na praxe temos que isso nos dá uma sorte de...
- Pedante!
- O que me dizes tu!? A que fora não repetes isso, chacal?
- Quando queiras e onde queiras!
Isso, marchai duma vez e a ver se deixais de tocar-me os *******!!!! (censurado).
A ver, proponho-vos três linhas de actuação:
1.- Botar os patos.
2.- Depurá-la toda manualmente.
3.- Romper a barreira criada pelos excrementos e permitir que a água do lago depure a lagoa.

- Acredito que botar os patos não é justo... Os animalzinhos também precisam de onde viver.
- Sim, mas são uns bichos muito porcos!
- Bom, mas são criaturinhas de Deus...!
E que vos pareceria um plano de educação dedicado aos patos para que apreendessem que na lagoa não podem fazer as suas necessidades biológicas?
- Bem, eu acredito que seria boa solução para quem quiser beber da água da lagoa.
- Com efeito.
- Oi, Pedrinho, e tu achas que aos animais se lhes pode ensinar algo...?
Hombre, te son criaturitas de Dios, ¿no?
- O que lhe passou a este?
- Não sei, se calhar é que o volvemos já totalmente louco...
- E se falamos da opção segunda?

E sobre a opção segunda, o que achais então?
- Acho que é muito complicada, custosa e lenta.
- Estou de acordo contigo.
- Pode ser, mas se calhar é preciso fazê-lo, porque afinal a água que lá havia não é coisa de desperdiçá-la havendo como há tanta gente que passa sede.
Disseste-o muito bem, tomarei nota.

Comentários à terceira opção?
- Bem, tendo em conta que...
Ché, que tu respondeste antes! Não sejas egoísta, ho!
- Peço humildemente desculpas e...
- Deixa que fale eu, caracho! Eu cuido que ao serem antes iguais as duas massas aquosas se poderia fazer um...
- ... um transvasamento...!
- Que estou a falar eu...!!! Sim, um transvasamento de água do lago à lagoa através do conduto de união -prévia restauração- para acelerar o processo de depuração. O que tu achas, Pedrinho?
Que tu o disseste também muito bem. Com pessoas assim é que dá gosto falar... quando a um lhe deixam, com certeza!


Olá, sou José Pedro Gasamáns e foste vítima do meu surrealista verbo. Chegaste afinal sem saberes de que vá o texto este? Uf, se calhar fui demasiado subtil. Bom, como não quero que haja mal-entendidos com nada do que escrevo, dir-te-ei que as duas massas aquosas representam uma parte contraditória, polémica, dura, etc., do povo galego, simbolizado essencialmente na sua língua. Se não reparaste antes em que as lagoas eram metáforas da relação entre o galego e o português, dir-te-ei também que:
1.- Volvas ler o texto. Até é possível que gostes dele e lho queiras enviar às tuas amizades -mas lembra citar o tiraste de Pensa Galiza, porque... eu sei quem és e onde moras!-.
2.- Tens bem pouca imaginação, ché!!!!



Esta imagem não tem relação directa com o texto do
colega Pedro, mas faz um efeito visual atractivo.




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LEMBRANDO A CASTELÃO (IV)
Mais uma vítima das depurações do funcionariado

Depois da vitória dos ultranacionalistas espanhóis no 1939 nesse conflito bélico encetado três anos antes, produzírom-se movimentos tácticos para banir do aspecto público quaisquer pessoas que pola sua ideologia ou pola sua praxe pudessem resultar prejudiciais ao novo e regressor/repressor regime que ia ter em Francisco Franco Bahamonde a sua cabeça-visível.

Afonso Daniel R. Castelão era uma dessas pessoas perigosas e vítimas mais evidentes, pois para além de crítico com todos os valores dos vencedores, unia na sua pessoa duas razões que bem o poderiam ter levado à desaparição física: ser nacionalista galego e pertencer o seu partido -o Partido Galeguista- à grande coligação contra a direita espanhola que fora a Frente Popular. Naquela altura, o rianjeiro ocupava um posto no funcionariado. O regime ilegalmente instaurado não podia permitir que alguém como Castelão seguisse a desenvolver o seu labor, polo que foi deseguido cessado. Eis um resumo do informe do Inspector que relevou das suas funções a Castelão:

"Pliego de cargos (...):
1.- Ser de ideas marcadamente izquierdistas.
2.- Haber manifestado a varios funcionarios ser socialista.
3.- Haber hecho comentarios despectivos sobre la Santa Religión Católica.
4.- Haber actuado con gran furor a favor del Frente Popular en las elecciones del 16 de febrero de 1936.
5.- Hacer mofa de un funcionario de su delegación sabiendo que pertenecía a la Falange Española
. (...).
8.- Ser sospechoso de cotizar al Socorro Rojo.
9.- Hacer comentarios favorables al separatismo gallego y al estatuto autonómico
(...)
11.- Tener una bandera republicana en el cajón del escritorio de su despacho
".

O delegado instrutor. Pliego de cargos del proceso de depuración de Castelao. Pontevedra, 26 de setembro de 1939.

Para além da injustiça, pode-se afirmar com certeza que o ideólogo nacionalista foi um afortunado, pois após de ser banido da vida institucional, o mais seguro é que fosse banido... do mundo dos vivos. Castelão compreendeu mui aginha qual poderia ser o seguinte passo dos franquistas, tanto polo seu cesse como polo destino dalguns dos seus companheiros -traidores à causa nacionalistas, exilados, assassinados...-, e escolheu a via do exílio para salvaguardar as suas ideias e continuar a resistência intelectual desde fora. Mas não permaneceria isolado dos seus labores como republicano, e boa prova disso foi que desde o estrangeiro desenvolveu importantes funções para o Governo Republicano do exílio... e também, como não poderia ser doutro jeito, mantendo viva a causa nacionalista galega.


A depuração de carregos polos fascistas
foi implacável com tudo o mundo.



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27 janeiro 2004

De re vária


Por razões de tempo, não podemos oferecer hoje a versão semanal de 'Lembrando a Castelão', que será publicada a quinta-feira pola tarde. Tampouco poderemos adicionar mais informações no blogue até esse dia. Desculpai as moléstias e sede compreensiv@s.

A respeito da polémica sobre as negociações de Josep Lluís Carod-Rovira com a ETA para que abandonasse definitivamente a luita armada, convidamos-vos a ler o artigo Chuva de hipocrisia.

Cumprimentos.


Josep Lluís Carod-Rocira, líder dos
republicanos catalães.



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26 janeiro 2004

Pensa Galiza... na imprensa

GERMÃO DAUZ

Procurando em Internet cousas sobre língua -sobre a nossa, claro-, dou com um trabalho sobre a história da língua galega referenciado no Novas da Galiza. Quando abro... ó, surpresa! Somos nós próprios os referenciados, Pensa Galiza! Bem, passada a emoção de ter saído no grupo dos 'escolhidos' -é brincadeira- de entre as notícias surgidas no PGL no jornal em papel mais eficiente da nação -isto não é brincadeira-. Colamos a notícia.

Literatura galega em linha

Desde já a literatura galega com mais um site na Rede de Redes para se dar a conhecer ao mundo inteiro. História da Literatura galega, Nove séculos de escrita XIIXXI) é o sugerente título com se introduz este percurso pola literatura galega desde os primórdios à actualidade. Pode aceder-se web de Pensa Galiza:
http://www.pensagz.cjb.net
.


O artigo original está aqui, e a informação do PGL à que se refere pode-se consultar aqui.

O trabalho em questão não está rematado debido às suas grandes dimensões -nove séculos, e ainda sem abordarmos a literatura da Lusofonia!-, mas pode ser consultado clicando aqui.


Novas da Galiza informou do nosso
trabalho sobre a literatura galega.




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Da 'Catalorra' à indiferência


GERMÃO DAUZ

Quando entre os messes de outubro e novembro de 2003 o candidato de Convergència i Unió à presidência do governo catalão, Artur Mas, anunciou que um dos seus projectos a nível desportivo seria a participação da Catalunha em competições internacionais integrando-se na delegação de Andorra, tomárom-no a mofa, desqualificárom-no e obrigárom-no a recuar. As brincadeiras 'informativas' a respeito das selecções de 'Catalorra' –como dérom em chamar o invento convergente- fôrom tão grandes que até muitos nacionalistas preferírom desmarcar-se da proposta de Mas. A 'brunete mediática' –como se lhe dá em chamar no Reino da Espanha aos meios do nacionalismo espanhol- foi insaciável e ímpia.

Há apenas um mês anunciou-se oficialmente que a língua catalã estaria por vez primeira representada no festival da Eurovisão mercê à primeira participação neste evento do que até hoje é o único país do mundo onde o catalão é idioma nacional: Andorra.

Os representantes de cada Estado adoitam ser escolhidos através dum concurso celebrado na sua televisão pública –como ultimamente está a ser Operação Triunfo-. No caso andorrano estará co-produzido polas televisões públicas catalã e andorrana, podendo participar nele tanto catalães como andorranos, ainda que a representação no certame europeu será com a denominação de 'Andorra'. Isto abre-lhes às jovens promessas da canção em catalão novas oportunidades de promoção... e na sua língua.

No entanto, esta iniciativa catalano-andorrana não foi desqualificada, mas ignorada. Resulta curioso que as iniciativas surgidas duma parte dum Estado –como a Catalunha dentro da Espanha- sejam merecedoras das mais cruéis humilhações, enquanto as surgidas duma nação mais ou menos soberana –como o é Andorra, co-principado catalano-francês- apenas mereçam o silêncio dos cobardes.

Será em maio quando pola primeira vez se comprove que a língua catalã é tão válida como qualquer outra para a expressão e que a Eurovisão bem poderia deixar de ser um simples negócio para ser um espelho da Europa dos povos. Oxalá que em Portugal tomem boa nota dos fruitos da co-operação de dous povos irmandados pola língua e algum dia podamos escuitar em Europa Portugal cantando com sotaque galego.


Graças ao Principado de Andorra,
o catalão estará na Eurovisão.



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23 janeiro 2004

Ao 'Zeca' Afonso

Dentro de exactamente um mês cumprirão-se 17 anos do falescimento do mais importante cantor português de todos os tempos, José Manuel Afonso Cerqueira dos Santos, mais conhecido como José Afonso, o 'Zeca' (Aveiro, 1929- Setúbal, 1987. Combativo, peculiar, independente, genial, comprometido com as gentes do seu país e também amador do nosso.

Se alguém -se quadra por razões de idade ou de língua- ainda não o conhece, que o faga agora. A universalidade do seu cantar ultrapassa quaisquer fronteiras, desde as lingüísticas às mentais. Ponhemos aqui a canção que muitos consideram que encetou a 'Revolução dos Caraveis', Grândola vila morena.

GRÂNDOLA VILA MORENA

Grândola vila morena,
terra da fraternidade.
O povo é quem mais ordena
dentro de ti, ó cidade!

Dentro de ti, ó cidade!
O povo é quem mais ordena,
terra da fraternidade,
Grândola vila morena.

Em cada esquina, um amigo;
Em cada rosto, igualdade.
Grândola vila morena,
terra da fraternidade.

Terra da fraternidade,
grândola vila morena.
Em cada rosto, igualdade.
O povo é quem mais ordena.

À sombra duma azinheira
que já não sabia a idade,
jurei ter por companheira,
Grândola, a tua vontade.

Grândola, a tua vontade
jurei ter por companheira
à sombra duma azinheira
que já não sabia a idade.




Por sempre, Zeca Afonso.



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Jornadas sobre a língua em Compostela (III)

Contrariamente às duas anteriores sessões sobre a língua, a de ontem não foi tão 'interactiva' e desviou-se mui pouco do tema principal, que é o estado da língua no mundo hoje e também na Galiza. Pudo ser bom tema para um debate de se ter celebrado um pouco mais cedo e também se puder ter permanecido até afinal certo professor de Literatura Portuguesa que nunca deixa a ninguém indiferente. Seja como for, as características com as que se dessenvolveu não minguárom nada o interesse, principalmente graças à toda a informação que nos dispensárom Manuel Amor, Raquel Miragaia e José Luís Rodríguez.

O galego no Ensino
Foi este o tema tratado pola vilalvesa Raquel Miragaia. Segundo ela, na Galiza há uma anormalidade, que é o facto de a Lei de Normalização Lingüística considerar "o galego e o castelhano ao mesmo nível", sendo como é a nossa língua a que precisa dum reforço para que poda estar realmente normalizada; por não dizer também que parece incrível "que os únicos estudos sócio-lingüísticos neste país sejam os feitos polas AS-PG e pola CIG".. Denunciou que o número de matérias obrigatórias em galego é pequeno, "não chegando à metade", e que apesar disso "em muitos centros não se cumprem as quotas mínimas exigidas". Quando imcumpre isso, a quem se pode recorrer? Quem tem responsabilidades? "É a Conselharia de Educação quem tem de fazer uma avaliação para verificar se se cumprem ou não", através do método de fazer inquéritos nos centros a cada professor para que diga em qué língua imparte a sua matéria". Isto, na prática, não é um método fiável para demostrar se se cumprem ou não os mínimos, pois "confia-se na boa vontade do pessoal".

Para não dar aulas em galego sempre há excusas. Alguns professores aduzem que não se veem capacitados porque "nos livros de texto não há uma terminologia estável", e "o que põe um livro um ano já não o põe o ano seguinte". Mas para o abandono do galego no Ensino não apenas nos professores temos de procurar causas, pois também existem preconceitos, e "do mesmo jeito que há um orgulho para falar bem o castelhano, na Galiza não há orgulho por falar um bom galego". A diminuição do número de galego-falantes é brutal, mesmo no meio rural ou sémi-rural onde se vinha mantendo como hegemónico. "No meu liceu, o número de pessoas que somente se exprimem em castelhano em segundo de bacharelato [o último nível nos liceus] é menos dum 1%, mentres que em primeiro da ESO [o primeiro dos níveis] chega já ao 30%".

O galego no Ensino (II)
O professor Manuel Amor continuou com a exposição da sua colega Raquel Miragaia a respecto da língua no Sector Educativo. Para ele há três grandes agentes implicados: o professorado, o alunado e a sociedade; grupo este último onde estariam também os pais e as instituições.

A responsabilidade do professorado é a que é, mas não podem "redonduzir as tendências lingüísticas dos alunos como muita gente crê". Em muitos casos é evidente neles que sofrêrom "fortes processos de castelhanização" para chegarem a onde estão, e também muitos deles são diglóssicos, "dando as aulas em castelhano mas utilizando espontaneamente o galego quando adoptam um ar paternalista".

"O alunado é mui variável", e até contraditório... ou não. Amor falou desde a sua perspectiva de docente num centro compostelão com alunos da cidade e outros procedentes de entornos rurais ou sémi-rurais. "Os alunos galego-falantes utilizam a sua língua, mas fam-no geralmente entre eles; pois com os castelhano-falantes utilizam a língua castelhana. É um comportamento que tenhem interiorizado", apesar de que da parte de nengum dos dous grupos principais de falantes existem hostilidades lingüísticas manifestas ao outro. Para os alunos galegófonos "a adessão à língua adoita ser primária ou sentimental: "falo-a porque a falam os meus pais ou porque é o que se fala onde moro", mas não existem para eles outras razões", quer dizer, que é um comportalmente dessideologizado. Geralmente "acham com muita facilidade razões para praticar o abandono, como em casos de alunos chegados de fora da Galiza e que não conhecem a nossa língua". Em muitos alunos castelhano-falantes "podemos observar que existe galego mui perto deles, como nos pais, mas eles falam-lhes em castelhano aos filhos apesar de falarem galego entre eles". O Sector Educativo não favorece a regaleguização dos alunos, "adoitam ser factore externos, outras vivências, as que o fam". Na mesma linha apontada por Raquel Miragaia, assinalou que a escassíssima leguislação e a dessídia institucional não guarantem o ensino em galego, "e tampouco os alunos tenhem uma atitude reivindicativa" -se quadra porque nos mais dos casos não conhecem os seus direitos-.

Sobre o papel da sociedade -pais, instutiuções, etc.-, Manuel Amor apontou algumas cousas. No caso dos pais, para além das práticas diglóssicas, afirmou Manuel Amor que "as Associações de Pais de Alunos poderiam fazer mais do que fam, pois tenhem bastante força como para lhe exigir à Aministração". As instituições "tampouco podem pretender galeguizar o Ensino se não se propõem também o objectivo mais amplo de galeguizar a sociedade". E a respeito do papel das equipas de normalização lingüística dos centros educativos, "falhárom quando não houvo nem alunos, nem professores nem pessoas capazes de agirem com iniciativa própria à margem dos poderes públicos"; neste sentido "perdeu-se muita ingenuidade", afirmou.

A língua no mundo
Apesar dos problemas de denominação que segue a haver para a língua galega -galego, português ou galego-português-, o certo é que para José Luís Rodríguez "a nossa é uma língua global, uma língua globalizadora e de globalização, como todas as línguas colonizadoras", com tudo o que isso conleva assumir. "A sétima parte do globo fala a nossa língua; uns 183 milhões milhões de pessoas tenhem-na como língua mãe, embora o número de pessoas que a utilizam pontualmente pode ultrapassar os 210". Quem defendêrom esta concepção do galego no Ensino fôrom "massacrados" -metaforicamente, e em clara alussão a gente como o já falescido professor Ricardo Carvalho Calero-.

Isolacionismos
Na quenda de perguntas, tratárom-se basicamente dous temas: o isolacionismo brasileiro e o ensino do português como segunda língua -o que seria dar-lhe status de língua estrangeira na Galiza-.

A respeito do primeiro tema, o professor Rodríguez destacou que no tema isolacionista o Brasil e a Galiza são diferentes, porque "no Brasil tenhem um orgulho de serem brasileiros que cá não há", do mesmo jeito "que os portugueses tenhem o orgulho de ter sido eles quem espalhárom a língua polo mundo". Para ele, "ambas as duas posturas tenhem as suas razões", embora cumpriria "uma acção cultural comum para a defesa da língua de todos", porque "o isolacionismo, o discurso da ruptura, do minifundismo lingüístico, não ajuda".

No tocante ao ensino do português como língua estrangeira, Rodríguez tivo mui claro que para ele "o português nunca será língua estrangeira, mas outra variedade da língua", e que "apoiará o ensino do português na Galiza como for", embora reconheceu que "na Galiza ideal [com ortografia comum e com o reconhecimento legal da unidade] seria desnecessário". Miragaia e Amor apontárom que nas suas experiências particulares de ensino do português na matéria de Literaturas Hispano-Americanas não houvo problemas, apenas o de "vencer a fronteira mental" como apontou Rodríguez e o de lhes ensinar aos alunos qual era a correspondência fonética dalgumas grafias. Para Amor, "os preconceitos requerem atendimentos pedagógicos". Se quadra cumpriria que, ao abeiro da legislação europeia e da euro-região Galiza-Norte de Portugal, na totalidade do nosso país pudéssemos receber a Rádio Televisão Portuguesa.


Galiza, nação lusófona.




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22 janeiro 2004

Colamos aqui um poema -pensado para ser cantado- redigido polo polifacético J. Pedro Gasamáns. Obrigado!


J. P. GASAMÁNS
O (en)canto da Sereia


Enquanto reparo na ferida aberta no céu
pelo lôstrego de crua dureza,
procuro com os meus olhos a estrela
encarnada -de rubi, ou de luz- que veio
cair perto da madrugada no chão mesmo da alva.

(Reloce, reloce, reloce, reloce...
com o brilho das novas primaveras
que nos alentam a resistir nesta noite de tebra,
que permetem a vida na friagem da pedra.)

E sentindo-me pequeno, e submetido,
e dirigido pelo estranho sonido que emana
das manhãs sem glória, sem nada,
apenas posso conter a emoção de observar
como chove miudinho, chovendo para eu pensar.

(Reloce, reloce, reloce, reloce...
com o brilho das novas primaveras
que nos alentam a resistir nesta noite de tebra,
que permetem a vida na friagem da pedra.)

Enquanto escuto, sem medo, a chamada do amencer,
miles de pensamentos cruzam-me a cabeça.
Deito no lixo a chave da minha casa.
Rechaço a universalidade por essa pequena coisa
que já se fez a minha causa.

(Reloce, reloce, reloce, reloce...
com o brilho das novas primaveras
que nos alentam a resistir nesta noite de tebra,
que permetem a vida na friagem da pedra.)

E apesar de não ter nem fouce nem martelo,
a veia que me percorre tão roxo como sou
faz de mim corpo, alma, carne, arma,
luta espida, noite com sol, luar ao meio-dia...
pelo (en)canto da Sereia que me quer no seu bou.

(Reloce, reloce, reloce, reloce...
com o brilho das novas primaveras
que nos alentam a resistir nesta noite de tebra,
que permetem a vida na friagem da pedra.)




Assim entende-se melhor, n'é?




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Jornadas sobre a língua em Compostela (II)

Enquanto escrevo estas linhas, está próxima de se celebrar a terça sessão das jornadas sobre a língua organizadas polo sindicato estudantil Agir na Faculdade de Filologia (USC). Hoje a terça, mas ontem foi a segunda, que contou com a participação de Carlos Quiroga -revista Agália-, de Miguel A. Fernám-Velho -editorial Espiral Maior- e de Carlos Barros -Novas da Galiza-; para analisarem os três a situação das publicações em galego-português na Galiza. Como 'invitado especial' poderíamos situar a Elias J. Torres Feijó, o hiperactivo professor de Literatura Portuguesa.

Os dados de Quiroga
O professor Carlos Quiroga, membro do conselho de redacção da revista Agália, começou oferecendo dados a respeito dos números que se manejam no mundo editorial na Galiza. Não podemos ocultar que foi bastante pessimista ao assinalar que na Galiza se lê pouco, e que o maior mercado para as editoriais galegas está "no sector educativo, principalmente na edição de livros de texto e na de livros de leitura recomendada ou obrigatória"; um defeito de base que explica parte da crise sofrida justo à par que desceu -e desce- notavelmente o número de estudantes em todos os níveis educativos. Forneceu também os resultados duma enquista elaborada em diferentes faculdades da USC para conhecer os hábitos de leitura, sendo chamativa a anedota de que alguns alunos de português mercavam as versões em castelhano dos livros que tinham de ler (!). Mas com certeza que um queda mui preocupado quando lhe transmitem que a entidade que mais livros de texto edita em castelhano na Galiza é a 'Xunta de Galicia', principalmente através dos departamentos de publicação de cada uma das conselharias... Uma situação que acreditamos é de vergonha alheia.

Fernám-Velho e o lusismo
O escritor e editor luguês fizo uma defesa das diferentes versões da normativa reintegracionista, e denunciou a indiferença e até ocultação praticada por livrarias, instituições e meios de comunicação a respeito do livro em galego -reintegrado-, atitude que "constitui um atentado contra a liberdade de criação e até contra a liberdade de expressão". Uma estratégia que responde, inexoravelmente, a "projectos políticos", quer dizer, ao que Xan López Facal denominava há uns messes em TEMPOS Novos como a posta em questão "da espanholidade da Galiza" que suporia aceitar uma normativa para a língua sem contar com o castelhano. Na sua faceta já mais de editor, fizo atenção à crise que está a viver o sector editorial galego em galego -derivado da sua concepção da Galiza como único mercado possível- e à falta de apoio das instituições públicas em mantê-lo. Umas instituições que tampouco favorecem o achegamento entre galegos e portugueses, uma "necessária comunicação e relação" que nos impede conhecer muitas vezes o que se passa do outro lado do Minho, ora seja de política ou de cultura.

Na Galiza, em galego
Carlos Barros pormenorizou nas origens do que hoje conhecemos como Novas da Galiza, pequena publicação mensal gratuita -mas que aceita subscrições- que procura defender os direitos históricos do povo galego, manter uma linha progressista e comprometida com os novos movimentos sociais, e que nasceu com vocação de serviço ao país; mas também procurando um modelo jornalístico que vaia mais a lá do estabelecido: jornalismo de investigação, para saia à luz o que não interessa que se saiba. Mas não toda a informação na Galiza é em papel, e houvo um dado que ele deu e que particularmente nos satisfizo e satisfaz polo que nos corresponde, e é que já somos mais de 100 os lugares da Rede de Redes a dar uma visão reintegracionista do nosso país... e em aumento constante. A respeito do dito por Quiroga e por Fernám-Velho sobre o sector editorial e o abandono dos meios públicos, remarcou que essa vergonha não se produz tanto assim em Portugal, "onde existe um compromisso mais forte com a cultura e onde os poderes públicos se implicam muito mais". É mui possível que o que aqui se passa é que a nossa cultura não interessa, daí que nem o governo autonómico galego publique geralmente na nossa língua.

"Seria um suicídio"
A quenda de perguntas foi particularmente interessante, principalmente porque às três pessoas arriba citadas também se somou Elias Torres, com o que na prática fôrom quatro os participantes. Resaltaremos a questão do mercado, por ser a mais directamente relacionada com o tema do colóquio e também mais deslocada por outros temas igualmente importantes. Quiroga apontou que, se quadra, o mercado para o livro galego "está em Portugal", para o que os escritores galegos até teriam de redigir os seus textos no português padrão, ideia rechaçada por Fernám-Velho ao considerá-la uma dissolução no português; mentres queElias Torres -professor de Literatura Portuguesa-, afirmou que "seria um suicídio" manter duas opções de escrita para a Galiza e para Portugal; apesar de que, como dixo Fernám-Velho, "tampouco os escritores brasileiros redigem na norma portuguesa ou ao invés", claro que desvirtuou a afirmação ao relacioná-la com projectos políticos dalgumas pessoas -de integração da Galiza em Portugal-, aos que ele rotundamente se opõe.

E hoje temos...
Na derradeira das sessões, que será hoje às 7 da tarde na sala 1 de Filologia. Manuel Amor -professor de secundária- e a vilalvesa Raquel Miragaia -membro da direcção da AGAL- tratarão o tema d'O galego-português no ensino; mentres que José Luís Rodríguez -professor de Língua Portuguesa na USC- o fará sobre O galego-português no mundo e sobre O futuro do galego-português.


NOTA: a momento de escrever isto venho de chegar já da derradeira das sessões, da que falarei amanhã. Mui interessante.


No mesmo dia apresentou-se um
novo livro de João Guisan Seixas.



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21 janeiro 2004

Conseqüências do Prestige?

No PP gabam-se -ainda hoje- de que eles não tivérom nenguma responsabilidade na maré preta do Prestige, e que por isso não pagou ninguém um 'prezo político' por tal desgraça. No entanto, a ninguém lhe pode passar por alto que tanto os conselheiros José Cuíña -Política Territorial- como Carlos del Álamo -Médio- fôrom cessados, assim como também a futura substituição de Arsenio Fernández de Mesa -Delegado do Governo na Galiza-. Pois hoje tocou o anúncio de Francisco 'Dóberman' Álvarez Cascos -ministro de Fomento- de se retirar da vida política, polo que não estará nas listas do seu partido para as eleições gerais do 14 de março.

Cumpre lembrar que o ministério de Fomento está considerado como o directamente implicado na maré preta, por ter decidido levar o barco o mais longe possível ("al quinto pino"), sem fazer caso das opiniões dos expertos. O resultado já o conhecemos tod@s, como também as acções judiciais encetadas tanto aqui como na França. Apesar de se considerar Cascos "relevado de obligaciones personales y de obligaciones colegiadas", é bastante possível que tenha de aclarar algumas questões relativas à maré preta num juízo... ou se quadra também pola compra que fizo o seu ministério de obras de arte por valor de 240.000 euros à galeria que dirige a actual parelha sentimental do futuro ex-ministro.




O futuro ex-ministro à saída dum acto do seu partido.



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Jornadas sobre a língua em Compostela

Ontem celebrou-se na sala 11 da Faculdade de Filologia (USC) a primeira das jornadas sobre a língua galego-portuguesa organizadas polo sindicato estudantil Agir.

Esta primeira jornada contou com a participação de dous professores de português da USC, Júlio Diegues Gonçales -língua- e Elias José Torres Feijó -literatura-; que respectivamente tratárom os temas A formação e difusão do galego-português / Conseqüências da separação da Galiza e Portugal na evolução da língua galego-portuguesa e Língua e nação / A recuperação do galego-português: língua e identidade.

O que lá se dixo

Quase não se tratou nada que não conheçamos os que vivemos o dia a dia da Galiza com uma mínima capacidade crítica. De entre as questões tratadas polo professor Diegues, possivelmente seja a relativa à necessidade duma ortofonia 'culta' para as falas da Galiza a mais interessante -embora nem novidosa nem carente de polémica- necessidade, pois "se bem a ortografia é o mais doado de aproximar, não assim a realização oral" e "do mesmo jeito que existe uma escrita culta, cumpre uma ortofonia culta". Do professor Torres Feijó resgatamos tanto "o fracasso do 'galeguismo'" quanto o idem da "normalização lingüística" ou que "a língua galega na Galiza não tem poder como o catalão na Catalunha; o galego tem de conseguir quotas de poder".

A quenda de perguntas possibilitou chegar a abordar outros temas ou pontos de grande interesse, principalmente no que respeita ao modelo educativo. Ambos os dous -e @s assistentes- concordárom em que cumpre uma reforma do sistema educativo como a existente noutras comunidades do Estado, para que @s galegófon@s podam estudar na sua língua, tanto na escola quanto no liceu ou na universidade, quer dizer, um modelo similar ao basco, que tem três módulos educativos -bascófono, misto e castelhanófono-. Possivelmente na Galiza o ideal e necessário seria um modelo único galegófono ou bem -mal menor- um duplo com módulo galegófono e módulo misto, para evitar "a estrangeirização da língua galega na Galiza". "Para a protecção da língua temos de contar com os galego-utentes e com os castelhano-utentes, com os galego-falantes de hoje e como os de amanhã", advogando por uma não-discriminação. Mas também houvo críticas "ao galeguismo", porque "não é concebível que a esta altura ainda não existam centros onde as crianças podam estudar na sua língua, embora tenham de ser sufragados com o dinheiro dos pais, como acontece na Bretanha".

O que nós dizemos

Se o problema da língua é um problema de cultura -polos preconceitos negativos de muitos pais-, também o é directamente de prestígio e de necessidade:
- o galego não tem prestígio porque não tem poder, e não tem poder porque não tem prestígio.
- não se vê que saber galego seja necessidade na Galiza.

Acreditamos desde Pensa Galiza que para que o galego tenha prestígio terá de ser apoiado por umas 'elites -culturais, políticas, etc.-, quer dizer, por uns 'modelos a imitar'. Se utilizar a língua da Galiza se converte em verdadeira necessidade -por exemplo, decretando-a como única língua oficial, como em Flandres-, terá poder. Com prestígio e poder, o galego será -embora!- uma língua normal no seu próprio país. "Às vezes cumpre tomar medidas que não gostam, mas que são totalmente necessárias". Para tomar essas medidas cumpre valor e cumpre também um verdadeiro compromisso.

Hoje, às 6 e na sala 1 da Faculdade de Filologia será a segunda sessão, que contará com Carlos Quiroga -membro do conselho de redacção da revista Agália- e Fernám-Velho -director da editorial Espiral Maior-, junto com um representante do conselho de redacção da publicação Novas da Galiza; para tratarem a Problemática das publicações galego-portuguesas.



Cartaz das jornadas sobre a língua.


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20 janeiro 2004

LEMBRANDO A CASTELÃO (III)
O direito de auto-determinação para as nações

Sendo como ainda é o tema basco elemento conformador da agenda mediática no Reino da Espanha, principalmente polo facto de os nacionalistas bascos reclamarem o direito de auto-determinação para o seu povo, oportuníssimo é lembrarmos o que acreditava Castelão sobre esta questão:

"(...) a existência duma nação é um plebiscito de todos os dias, como a existência do indivíduo é uma afirmação perene da vida. (...) Uma nação não [Espanha? ver o quarto parágrafo] tem melhor direito que um rei para lhe dizer a qualquer província [Galiza? idem]: "tu pertences-me e tomo-te". Porque uma província não é nada sem os seus habitantes e, a este respeito, merecem ser consultados".

Essa "consulta" da que fala Castelão poderíamo-la denominar hoje como o direito de auto-determinação. Mas também é evocado -directa ou indirectamente- como mecanismo de defesa face agressões externas. Assim, Castelão, defensor duma ideia tão anacrónica hoje como como o iberismo, afirmava poder-se considerar separatista "em caso de que ficassem esgotadas todas as possibilidades duma concórdia espanhola a base dos princípios federais ou confederais".

No caso concreto do Reino da Espanha, este direito podia ser aplicado partindo da base de que a Espanha não é uma nação, e a ruptura com a Espanha-nação ilustrava-a assim o rianjeiro:

"(...) se um Estado não foi capaz de dissolver as diferenças culturais e lingüísticas do seu território, não tem direito de ser considerado como nacionalidade".

Algo tão evidente como que a Espanha não é uma nação foi mesmo evidente para Camões, habitante dum país -Espanha-, que ele acreditava constituída polas nações galega, portuguesa, castelhana, basca/navarra, catalã/aragonesa, andaluza e asturo-leonesa:

"Eis aqui se descobre a nobre Espanha,
Como cabeça ali de Europa toda,
Em cujo senhorio o glória estranha
Muitas voltas tem dado a fatal roda;
Mas nunca poderá, com força ou manha,
A fortuna inquieta pôr-lhe noda,
Que lhe não tire o esforço e ousadia
Dos belicosos peitos que em si cria.

Com Tingitânia entesta, e ali parece
Que quer fechar o mar Mediterrano,
Onde o sabido Estreito se enobrece
Co'o extremo trabalhado Tebano.
Com nações diferentes se engrandece,
Cercadas com as ondas do Oceano;
Todas de tal nobreza e tal valor,
Que qualquer delas cuida que é melhor.

Tem o Tarragonês, que se fez claro
Sujeitando Parténope inquieta;
O Navarro, as Astúrias, que reparo
Já foram contra a gente Mahometa;
Tem o Galego cauto, e o grande e raro
Castelhano, a quem fez o seu Planeta
Restituidor de Espanha e senhor dela,
Bétis, Lião, Granada, com Castela.

Eis aqui, quase cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa,
E onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floresça
Nas armas contra o torpe Mauritano,
Deitando-o de si fora, e lá na ardente
África estar quieto o não consente
".
Luís Vaz de Camões. Os Lusíadas (Canto III).




- Há que defender a Espanha.
- Melhor seria que a Espanha nos defendesse a nós.

Afonso Daniel Rodrigues Castelão. Cousas da Vida
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19 janeiro 2004

O dialeto 'galhego' e a língua galega

GZ
Não cumpre ser um esforçado ouvinte ou telespectador para se decotar de que quaisquer declarações que cidadãos galego-falantes fagam a meios espanhóis não serão traduzidos ou dobrados à língua castelhana. Isto, que não se faz nem com o catalão, nem com o francês nem com o português, é prática freqüente com a língua própria da Galiza.

Acredito que tudo nasce numa apreciação de base, que é a enorme castelhanização que sofre a língua portuguesa na Galiza. A língua que historicamente podemos e temos de chamar galego está relegada na prática à um status de crioulo que faz de ponte entre o castelhano e o português: o 'galhego'. Mentres que o 'castrapo' -ou castelhano crioulizado sobre base galega- foi desaparecendo pola acção cultural castelhanizante que o igualou à variedade culta da língua castelhana -banindo quaisquer influência da base galega sobre a que se assentou-, o 'galhego' -ou português crioulizado sob a pressão castelhanizante- pervive e aproxima-se cada vez mais ao que chamamos decote 'castrapo', quer dizer, o 'galhego' deixa de ser cada vez mais uma variedade castelhanizada de português para ser um dialecto do castelhano.

Tenhem de ser acções sociais, políticas e culturais as que promovam o 'galego' como única língua própria da Galiza. Do mesmo jeito que o 'castrapo' baniu os seus galeguismos para ser plenamente castelhano; o 'galhego' terá de fazê-lo também para ser plenamente galego. E enquanto não se faga isso, a tradução de textos orais -e até escritos!- ao castelhano será desnecessária por absurda perda de tempo. Actualmente há compromisso de mão de sectores sociais e culturais com certa relevância, mas não políticos, polo que a acção individual é mui importante. Serão os/as falantes quem tenham de decidir se querem que a sua língua seja um sucedâneo do castelhano, perdendo o seu lugar no contexto lusófono.



Cartaz da AMI contra o bilingïsmo,
uma das causas da crioulização do galego.



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16 janeiro 2004

A imprensa espanholista colabora na persecução às línguas de Aragão

Introdução e crítica
Denunciava ontem aqui José Pedro Gasamáns à oposição do Partido Popular à Lei de Línguas de Aragão que o executivo presidido polo socialista Marcelino Iglesias quer aprovar para conseguir a cooficialidade do aragonês e do catalão. Hoje cumpriria denunciar também o papel da imprensa espanholista, reforçando a postura da direita nacionalista espanhola.

Não apenas se opõem ao ensino do catalão -e do próprio aragonês- em Aragão, pois também até ocultam a história destas nações e inventam critérios -acientíficos, por suposto, pois a ciência é a que é- para desqualificarem as suas línguas. O espanholismo mediático faz isso: seguir a estratégia histórica do espanholismo. No caso de Aragão citam como fontes autorizadas a FACAO, associação que teoricamente defende a cultura aragonesa, mas que na prática está relacionado com grupos da extrema-direita espanholista, e cuja visão do catalão aragonês é a mesma que para Andecha Astur o galego-português asturiano: não existem, apenas são 'aragonês oriental' ou 'asturiano ocidental'. Por suposto que o nacionalismo espanhol e a sua parefernália mediática apoiam estas posturas, do mesmo jeito que alentam o secessionismo lingüístico na Galiza ou em Valência. O objectivo final e conseguir uma Espanha totalmente castelhano-falante. E algum dia o seu seguinte objectivo poder ser -se calhar já o está a ser- o 'país vizinho': Portugal.

Intolerância lingüística
Apesar de se tratar de Aragão, a maior polémica entre os nacionalistas espanhóis não é pola consideração do aragonês como língua, mas o facto de reconhecerem em Aragão a existência da língua catalã. O nacionalismo espanhol é historicamente anticatalanista, e a imprensa espanhola é sumamente repressora lingüisticamente. Eis alguns gloriosos titulares e framentos de notícias que nos deixou a imprensa espanholista:

  • Iglesias quiere imponer el catalán en colegios, calles y organismos y fomentarlo en hospitales. La Razón, 16/1/2004
    Creación de un Consejo Superior de Lenguas de Aragón, garantía de enseñanza en catalán, topónimos bilingües, reserva de plazas funcionariales en las que será preceptivo el uso de esta lengua y promoción del idioma en bibliotecas, museos, archivos, academias, teatros, cines, obras literarias y de producción cinematográfica e industria cultural». Eso es lo que trató de sacar adelante el Gobierno de Marcelino Iglesias en la pasada legislatura, y que, según las fuentes consultadas, servirá de base para el proyecto de bilingüismo que anunció recientemente en la zona oriental de Aragón.

  • «No hablamos catalán, hablamos aragonés. Es una invasión para lograr la gran Cataluña que sueñan». La Razón, 15/1/2004
    «No se es consciente en el resto de España y en el resto de Aragón de la presión catalanista que tenemos aquí. Son unos vecinos incordiantes. Verdaderamente es una invasión». Así de rotundo se muestra el presidente de la Federación de Asociaciones Culturales de Aragón Oriental, Ángel Hernández. El dirigente de la Federación explicó a LA RAZÓN la situación de acoso pro-catalanista que se vive en la «mal llamada franja oriental» de Aragón, principal perjudicada por la última iniciativa que retomó Marcelino Iglesias días atrás con la que pretende el que el catalán sea co-oficial en la zona.

  • Sugieren al socialista Marcelino Iglesias que pase del catalán y haga oficial el «chapurriau». La Razón, 15/1/2004
    Fuentes de toda solvencia consultadas por LA RAZÓN proponen al presidente de Aragón que se olvide del declarar oficial el catalán y ya que no tiene intención de potenciar el aragonés adopte, al menos, el «chapurriau» como lengua cooficial. Como recuerda Ussía, la mezcla que se habla en las comarcas más cercanas a Cataluña incluye hermosos y antiguos vocablos: «masiau» por «demasiado»;«chalau» por «helado», «chicolate» por «chocolate»... Para los aragoneses el problema de Iglesias está claro: pasa «masiau» tiempo con Maragall.

  • Trilingües. ABC, 13/1/2004
    (...)Cinco son las comarcas aragonesas con dialectos locales influidos por el catalán(...). Entre las cinco comarcas aragonesas con influencia catalana no suman ochenta mil habitantes. Es decir, que todo Aragón se debe someter al capricho gilipollas de unos cursis clamorosos.
    Además, que esos dialectos, como escribe Ángel González Abad, pueden parecerse algo al catalán, sin pasar del parecido. El «chapurriau» lo llaman por allí. Si el proyecto de la Corona de Aragón es lo que priva, Aragón es Reino y Cataluña, Principado, cuyo condado es Barcelona. De esta guisa, en lugar de obedecer Iglesias a Maragall y Carod-Rovira, tendría que hacerse al revés. Que Maragall declare idioma cooficial de Cataluña al «chapurriau» aragonés. Y si es por afinidades, también al escocés, por aquello del whisky, cercanía y afición que comparto plenamente.
    Detrás de todo esto, que puede tratarse desde la broma en un principio, están los «Països Catalans», ambición en la que coinciden los independentistas catalanes con una buena parte de los socialistas valencianos y baleares, y algún aragonés desajustado de mente. Imponer, financiar y extender con el apoyo del dinero público la confusión y la duda. Desespañolizar el ambiente y los sentimientos. El odio a España que se aprende como asignatura en las «ikastolas» es consecuencia de la política educativa que practicaron los socialistas en el Gobierno vasco
    (...).

  • ¡Que vienen los invasores!. La Tribuna de Albacete, 14/1/2004
    (...)Si se trata de vender la mercancía lingüística. Pues que da igual que vivas en Aragón o en Cataluña, en Andalucía o en Albacete. Te hacen cooficial la lengua catalana, la variante aragonesa y la murciana, si hace falta. Con tal de que tú, sufrido hablante castellano, vivas en un grupo aragonés que habla murciano pues tendrías tres lenguas cooficiales. No te digo nada si vives en Hellín, pues te hacen cooficial el murciano, el aragonés y el español, por eso de ser una lengua universal, faltaría más. (...)Si dentro de unos años se habla catalán, o gallego, o vascuence en todo el territorio que ahora llamamos España, pues democráticamente votamos llamarle Cataluña, Galicia o Euskalerría y a «freír puñetas» eso de España, que ahora es molesto vivir en ella para algunos, que unen lengua a territorio.(...)


O aragonês, língua desconhecida
Nascida na zona dos Montes Pirineus, o aragonês é uma língua românica tremendamente relacionada com o catalão e com os diferentes dialectos da língua de oc. Trata-se em essência do mesmo latim que deu lugar ao ocitano e ao catalão, mas com uma notável influência dos vascões -como o gascão, dialecto do ocitano- fruto, se calhar, da união que durante muito tempo houvo entre Aragão e Navarra, daí que nas origens a língua fosse chamada de navarro-aragonês. Actualmente apenas se fala em parte da província aragonesa de Huesca, por uns 20.000 cidadãos espanhóis. A sua situação é tão dramática que de não se produzir uma política lingüística de imersão -como na Catalunha com o catalão- que o salvaguarde, desaparecerá pola pressão do castelhano. Apesar de que o espanholismo o considera como dialecto do castelhano, é melhor pôr um exemplo duma frase em aragonês -do que existem muitas normativas gráficas- com a sua versão em catalão, em castelhano e em galego para ilustrar a falsidade desta visão espanholista:

Una cosa é defender l'aragonesidat de Fraga, que yo tamén defiendo, i un altra dir que no n'i hai dinguna relazión perque no se sienten politicament catalans... Ixa é una conclusión prou facaguera, que no?. Aragonês.

Una cosa és defender l'aragonesitat de Fraga, que jo també defendo, i una altra dir que no h'hi ha cap relació perquè no se senten politicament catalans... Eixa és una conclussió prou facaguera, que no?. Catalão.

Una cosa es defender la aragonesidad de Fraga, que yo también defiendo, y otra cosa decir que no hay ninguna relación porque no se sienten políticamente catalanes... Esa es una conclusión bastante facaguera [=de FACAO], ¿no?. Castelhano.

Uma cousa é defender a aragonesidade de Fraga, que eu também defendo, e uma outra dizer que não há nenguma relação porque não se sentem politicamente catalães... Essa é uma conclusão bastante 'facaguera', ou?. Galego.



Mapa das línguas de Aragão.



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15 janeiro 2004

O PP não quer a Lei de Línguas de Aragão

JOSÉ PEDRO GASAMÁNS
A tão reclamada Lei de Línguas de Aragão, que lhes daria cooficialidade ao aragonês e ao catalão conjuntamente com o castelhano, está de momento paralisada por ser, segundo um informe de 2001, inconstitucional. Seria-o porque apesar de que no Estatuto de autonomia de Aragão se faz referência à defesa e protecção das diferentes modalidades linguísticas da comunidade, não se especifica nenhuma, pelo que cumpriria -segundo os grupos opositores- uma reforma estatutar para aprovar esta lei.

A criação e aprovação do texto -que ainda não é lei em vigor- é uma iniciativa da Chunta Aragonesista (ChA), do Partido Aragonesista (PAR) e do PSOE aragonês. Precisamente uma das pessoas mais comprometidas com o projecto é o líder socialista de Aragão e presidente da comunidade, Marcelino Iglesias Ricou, pois a sua mãe procede dum concelho aragonês de língua catalã, e até tem utilizado o catalão em actos institucionais celebrados na Catalunha. Mas apesar de existir esse compromisso do presidente aragonês, é justo criticar que um projecto encetado há tanto tempo ainda não esteja rematado.

Oposição do PP
Como em toda polémica linguística que exista no Estado espanhol, a mosca colhoeira é o PP, que como faz com o português galego, asturiano ou estremenho; ou como faz com a língua asturiana em Astúrias e Leão; ou como faz com o catalão balear ou valenciano; pretende isolar o catalão aragonês e convertê-lo numa língua per se, quer dizer, num satélite dialectal colonizado pelo castelhano. E longe de aportar nenhum critério científico que avale as suas teses -lembremos que a filologia, disciplina científica, se opõe às práticas do PP-, os pepeiros fazem uso da péssima coarctada dum suposto "expansionismo do nacionalismo catalão em Aragão" -reconhecendo assim a raiz política das suas actuações-.

É mui evidente que o PP aragonês -como no resto da Espanha- está na mesma linha ideológica e de actuação que a Asociación Gallega por la Libertad de Idioma -cuja única liberdade de idioma que defendem é a de falarmos castelhano-, pois numa missiva que este grupúsculo fascistoide -as suas próprias afirmações assim os (des)qualificam- lhe enviou ao presidente aragonês há alguns anos falavam de que legislar para as línguas minoritárias era inútil e que iam adquirindo carácter fanático. Vamos, melhor falarmos todos castelhano e ponto.



Reproduzimos aqui uns fragmentos da carta à que J. P. Gasamáns fazia referência.

D. MARCELINO IGLESIAS RICOU (PRESIDENTE)
DIPUTACION GENERAL DE ARAGON
Pº Mª AGUSTIN, 36. EDIFICIO PIGNATELLI
50071 ZARAGOZA
La Coruña, 15 de Agosto de 1999
Muy Sr. mío:
No sé si esta carta llegará a sus manos y la leerá con espíritu abierto, pero de todos modos, creo tener la obligación ética de escribirla.
He leído con suma preocupación sus declaraciones a los medios (MARCELINO IGLESIAS / PRESIDENTE DEL GOBIERNO ARAGONES: Defensor de las lenguas minoritarias JAVIER ORTEGA El Mundo 3 Agosto 1999
[...]en las que defiende las lenguas minoritarias y que piensa legislar sobre ellas.
Defender las lenguas minoritarias es una posición muy loable, siempre que no vayan en detrimento de cosas más importantes, pero legislar sobre ellas es un verdadero disparate. Aquí podría empezar listar las razones pero por correo aparte, le envío un ejemplar del libro de D. Manuel Jardón “La ‘normalización lingüística’, una anormalidad democrática, el caso gallego”, donde muy diáfanamente encontrará una buena colección, que espero le convencerán para no entrar en el agujero negro en el que pretenden meter a los ciudadanos de la región si siguen por ese camino (evito usar aragonés para que no adquiera el carácter fanático que ya implican catalán, vasco y gallego).
Si de todos modos sigue adelante con su intención, le ruego no olvide normalizar también el francés, inglés, alemán y otras, pues seguro que habrá algún ciudadano despistado por Candanchú, Formigal, la antigua base americana de Zaragoza, Figueruelas y otros lugares, que tenga como lengua materna alguna de ellas.
Sin otro particular, y con la esperanza de que esta carta y el libro resulten provechosos para mis paisanos presentes y futuros, le saluda, muy atentamente. Secretario.



Marcelino Iglesias Ricou é o presidente de Aragão.


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14 janeiro 2004

Misturando o toucinho com a velocidade


O topónimo de sempre
Na passada sexta-feira apareceu um artigo na edição Galiza do jornal espanholista ABC onde Alfredo Aycart -delegado deste jornal no nosso país e activista da desinformação durante a maré preta- onde se misturava sem critério nengum a luita da Mesa Pola Normalización Lingüística polo respeito à lei com demandas culturais legítimas deturpadas por um politicismo imcompreensível num país que se gaba de democrático. Por ser breve, acusa à Mesa de ir contra da língua castelhana -lembremos: estrangeira- na Galiza por fazer defesa da lei! A lei diz que apenas A Coruña é o único topónimo oficial para a Crunha, apesar de que o alcaide pretenda utilizar uma artimanha legal para o cambiar. E pedir respeito à lei, que é o que fizo a instituição presidida por Carlos Callón não é "judicializar" nenguma língua. Ademais, afirma que "a maior parte dos vizinhos (...) seguem falando de 'La Coruña' quando falam da sua cidade em castelhano". Oi! Essa cidade dá-lhe nome a toda uma província. Perguntaria-lhe Aycart aos de Melide se queriam que a capital da sua província, a Crunha, fosse La Coruña? "Sim, são-che da Crunha, mas a capital é 'La Coruña'", poderia ser que dixesse algum depois do hipotético câmbio. Mas não somente isso. O facto de que afinais da passada década se estabelecera que a única forma oficial para tudo o Estado fosse La Coruña -ver o artigo Até as mais pequenas batalhas merecem ser luitadas- foi para ele "rendição a uns princípios alheios à História, ao sentido comum e à Real Academia [espanhola, claro]"; obviando que foi sempre a Crunha para os galegos e para as galegas, e posto que nós lhe demos o nome -evoluindo-o desde a sua forma original-, justo é que se conserve a forma na nossa língua e não numa alheia.

Contra a cultura galega
Mas não apenas contra a forma galega oficial -ainda que a oficial não se corresponda com a tradicional, que é Crunha- agiu Aycart, mas também contra a cultura galega, onde implicou -sem especificar por quê- à Mesa: "Trata-se dos mesmos que converteriam numa 'charanga' a celebração do Jacobeu, substituindo artistas da talha de Bob Dylan ou de Pavarotti por qualquer banda, grupo de folque, de pop ou de rap que poda apresentar um DNI [Documento Nacional de Identidade] próximo ao umbigo". O inculto conselheiro de Cultura da 'Xunta de Galicia', Jesús Pérez Varela -alias Carminho Burana- também dixo que trazer artistas galegos seria converter o Jacobeu numa feira. É que se o encarregado -teórico- de defender a nossa cultura não faz nada por promocionar os artistas do nosso país, quem o vai fazer? Se não se aproveita a infra-estrutura e poder mediático do Jacobeu para dar a conhecer o mundo cultural galego -em galego, por suposto-, quando se fará? Não se fizo o mesmo com a cultura espanhola na Expo de Sevilha no 1993 ou no Mundial da Espanha no 1982? A Generalitat de Catalunya esforçou-se muito promocionando o mundo cultural catalão nas Olimpíadas de 1992, e o alcaide socialista de Barcelona, Joan Clos, fizo o mesmo nos campeonatos mundiais de natação celebrados o passado ano na sua cidade. Mas aqui, que temos essa grão oportunidade de dar a conhecer a quem faz possível que exista ainda a Galiza, não se quer fazer. Em qualquer país democrático normal o 'senhor' Pérez Varela -com um amplo passado familiar de repressão contra o mundo cultural galego- seria cessado fulminantemente e o tal Aycart perderia o seu posto de trabalho. Mas aqui funciona a 'democracia depende': segundo como se mire, tudo depende.

Venhem-nos mui bem uma canção cantautor valenciano -em língua catalã- Raimon:

T'adones, amic
T'adones, company,
que a poc a poc ens van posant el futur
a l'esquena;
t'adones, amic.
T'adones, company
que ens el van robant cada dia que passa;
t'adones, amic.
T'adones, company,
que fa ja molts anys
que ens amaguen la història
i ens diuen que no en tenim;
que la nostra és la d'ells,
t'adones, amic.
T'adones, company,
que ara volen el futur
a poc a poc, dia a dia, nit a nit;
t'adones, amic.
T'adones, company,
no volen arguments,
usen la força,
t'adones, amic.
T'adones, company,
que hem de sortir al carrer
junts, molts, com més millor,
si no volem perdre-ho tot,
t'adones, amic.
T'adones, company,
t'adones, amic.

Para leres a tradução, clica aqui.



Clica na imagem para leres o artigo original do ABC.


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13 janeiro 2004

LEMBRANDO A CASTELÃO (II)
O ideólogo do 'nacional-pacifismo'

Contrariamente ao que muitos outros nacionalistas, já forem coetâneos, pretéritos ou futuros, o intelectual rianjeiro não procurou a justificação da singularidade da Galiza num passado -real ou fictício- de glórias militares, mas no pacifismo que ele acreditava comprovável e comprovado na maior parte da História do nosso país.

Para Castelão eram mais admiráveis os receios dos galegos à participação em conflitos que implicavam o uso da força que, por exemplo, as empresas bélicas castelhanas.

E esse pacifismo que acreditava na História da Galiza pretendeu trasladá-lo à cena política, jundo com o federalismo -união entre iguais- e com o pactismo, bases as três de toda democracia sã.

Tendo em conta a época que lhe tocou viver, resulta case que um paradoxo o facto de existir uma figura como ele tão claro defensor dum nacionalismo integrador até o ponto de não reclamar a violência como método e de banir da História do país referências a quaisquer actos bélicos. Com efeito, Castelão não se ajustou estritamente à realidade dos factos, mas outros nacionalismos não tivérom a fortuna de que as suas linhas de actuação as traçassem pessoas com o talante de Castelão.




Castelão preferia a Galiza culta à Galiza militarmente forte.



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'Tomadura de pelo' do Partido Popular

EDUARDO PAIS

Parece incrível que poda haver um partido com tanto papo. Depois da abertura dum expediente de expulsão para 'Moncho' Ares e para todos os seus colaboradores na moção de censura contra do governo democrático de Sada apoiando-se num trânsfuga do PSOE [ver abaixo a notícia Um trânsfuga socialista, um alcaide fascista], as declarações estrela dizem que agora "o PP não tem nada que ver com eles [com os pepeiros que apresentam a moção]". Pois não, meus senhores, tenhem que ver... e muito, pois fôrom vocês quem eligirom estas pessoas, e fizérom-no há já bastantes anos -lembremos que Ares estivo 23 anos como alcaide- e não polo de agora se podem elidir as responsabilidades.

As hemerotecas estão para quem as queira consultar, seja de há quatro dias ou de há quatro anos. Quando o outro dia se lhe dixo a Ares que ia perder as suas amizades no PP, ele respondeu que não seria assim porque "são amizades de muitos anos". A primeira vista pode aparentar ser uma afirmação inócua, mas aprofundemos nalguns factos e nalguns aspectos desses factos:
1.- 'Moncho' Ares pacta com um trânsfuga socialista a dissolução do governo municipal entre nacionalistas e socialistas.
1.1- Com isso, Ares incumpre o pacto-antitransfuguismo apoiado polo seu partido ao mesmo tempo que incumpre as normas de regime interno do PP e
1.2- são-lhe feitas advertências desde a cúpula do seu partido na Galiza.
2.- A reafirmação de Ares no que vai fazer provoca-lhe a abertura dum expediente de expulsão.
2.1- Produzem-se desqualificações contra da sua pessoa desde o seu próprio (ex-)partido. Ele passa a ser uma "vergonha" para o Partido Popular.
2.2- Desde o PP desvinculam-se do que poda fazer Ares, já não podem "fazer nada mais". Ares, pois, actua à margem do partido e com o apoio dos seus incondicionais.

Agora, uma mirada algo mais atrás no tempo. Em muitos concelhos da Galiza houvo excisões no Partido Popular, grupos de pessoas que acabárom sendo expulsados do Partido polas suas discrepâncias ou por acobilhar trânsfugas doutros partidos. No entanto, e apesar dos múltiplos insultos que lhes chovêrom desde as altas instâncias do partido e apesar de que desde o PP se desvinculárom na teoria deles, depois das eleições municipais de maio de 2003 não duvidárom em pactuar os governos dos concelhos com as suas 'ovelhas perdidas'. Interpretação da afirmação de arriba de Ares e hipótese:
1.- Ares perde o governo municipal e põe-se a trabalhar para recuperá-lo o antes possível.
2.- Consegue o apoio dum socialista dissonante com a estratégia de aproximação ao BNG.
3.- Assina afinal de maio uma moção de censura com o traidor.
Até aqui nada que não se conheça. Continuo e hipotetizo:
4.- Ares consegue chegar a alcaide.
5.- Os seus amigos na Xunta continuam-lhe a dar o seu apoio -institucional- como quando era alcaide.
Resultado:
6.- Um governo municipal menos nas mãos das 'forças de progresso' da Galiza e, na prática, mais um governo controlado polo PP.
Conclusão 'à galega':
E se tudo fosse uma estratégia do Partido Popular idêntica ao antes e ao depois das eleições municipais para controlar -mas não nominalmente- mais um concelho da Galiza, perpetuando o seu sistema caciquil no médio rural e no semi-urbano? Se alguém crê a versão oficial do que está a passar em Sada, cumpriria dizer que a actuação é mui boa. A frase de ânimo no teatro é "muita merda!". De seguro que em Sada há muita.


Vinheta de Castelão contra do caciquismo na Galiza.



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Ataca o 'Capitão Espanha'

Ontem o blogue português Portugal e Espanha acolheu entre as notícias extraídas da imprensa espanhola uma do ABC mui útil para ilustrarmos o artigo que escrevemos o mesmo dia a respeito da concepção da Espanha segundo o PSOE. Afirmávamos que este partido tem uma concepção federal -e republicana- da Espanha desde os tempos da sua fundação polo ferrolão Pablo Iglesias Posse, uma ideia que é mais defendida naqueles territórios onde além do castelhano -obrigatoriamente oficial em tudo o Reino Unitário da Espanha- é oficial uma outra língua, quer dizer na Galiza -galego ou português-, no País Basco e em Navarra -o basco-, na Catalunha, em Valência e nas Ilhas Baleares -nestas três últimas comunidades, o catalão-; chegando até ter um compromisso pseudo-nacionalista na "defesa do País", que deixa de ser Espanha para o serem cada um desses territórios -no caso dos de língua catalã com uma influência do pancatalanismo e da ideia de pertença aos Países Catalães-, embora formando inexoravelmente parte dum "projecto comum" que seria a Espanha.

No entanto também advertíamos da existência duma linha intransigente e espanholista que tinha os seus máximos exponentes no alcaide da Crunha, Francisco Vázquez; no presidente de Castilha-a-Mancha, José Bono; e no presidente da Estremadura espanhola, Juan Carlos Rodríguez Ibarra. Precisamente a respeito deste último era a notícia publicada no ABC e que hoje também recolhe El Mundo -entre outros-. Faz-se menção da última -mas não derradeira- boutade ou, se o preferides, arroutada -que é mais enxebre- de Rodríguez Desbarra, que pretende introduzir uma emenda no programa eleitoral do PSOE para que de serem eleitos para a presidência do Governo espanhol se faga uma modificação na Lei Eleitoral -que também exigiria uma reforma da Constituição- para que apenas os partidos cuja percentagem de votos chegasse a ser o 5% da média estatal tivessem representação no Congresso dos Deputados, que "representa a soberania da nação". E os que não consigam tal quantidade de votos, pois somente representação no Senado, prévia transformação numa "câmara de representação territorial". Contrariamente ao que outros políticos, Ibarra não utilizou nengum eufemismo nem demasiada subtilidade, e foi claro a afirmar que o propósito desta iniciativa é conseguir que os partidos políticos nacionalistas -mas não os nacionalistas espanhóis- desapareçam da cena política "nacional", pois representam "apenas uma parte reduzida dos espanhóis". Uma parte tão reduzida que são uns cinco milhões.

Mas não apenas falou disso, pois ousou também afirmar que em certas nações do Estado -para ele regiões- se deturpa a História da Espanha, mas não deu exemplos concretos nem os pontos nos que existia essa deturpação, somente que "é mentira". A realidade é que o facto de essa História não coincida com a que lhe ensinárom nos tempos de Franco ou com a que a ele lhe gostaria que fosse a 'autêntica' não implica a sua falsidade. Afortunadamente a Historiografia leva exercendo um digníssimo trabalho desde o tardo-franquismo até os nossos dias. Claro que sempre quedam vestígios como um tal Fernando García de Cortázar, um tal Pío Moa e um tal César Vidal; cuja visão da História da Espanha nos conduziria a que a nação portuguesa é um acidente histórico, um território fugido da "unidade de destino no universal" que é a Espanha. E o engraçado é que vai o Ibarra e diz que está contra dos nacionalismos, "tanto do espanhol quanto o periférico". Vaites, vaites.

Enfim, seja como for, foi bastante evidenciador para ilustrar a divisão conceptual do PSOE. E isso até o ponto de que desde o PSC -filial catalã do pardido- se assegurou que a proposta de Ibarra seria impossível que o PSOE a pugesse em prática, como também dixérom outros companheiros e companheiras de partido. Eis a deriva dum partido que depois de abandonar o marxismo, depois de abandonar os obreiros e agora que está abandonando o federalismo já bem poderia trocar o seu nome polo de PE, Partido Español.

Para saberes mais...

  • Rodríguez Ibarra defiende luchar contra ETA como Bush contra Bin Laden [ler].
  • Rodríguez Ibarra llama a seguir con herramientas como los GAL [ler].
  • Hondo malestar en Ferraz por las declaraciones de Ibarra [ler].
  • Ibarra cree "estúpido" que Rajoy diga que se entendería mejor con él que con Zapatero sobre el modelo de Estado [ler].
  • Grupo dos Amigos de Olivença - Comunicado de Imprensa. Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique
    [ler].
  • Declaraciones de Ibarra.[ler].



Juan Carlos Rodríguez Ibarra, desbarra mais uma vez.



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12 janeiro 2004

U-la a Espanha do PSOE?


Tendo em conta que as eleições Gerais no Reino da Espanha serão o 14 de março, cumpre que nos fagamos esta pergunta, do mesmo jeito que cumpre que nos dem resposta os socialistas espanhóis. Qual é o modelo de Espanha que defenderão os que se autoproclamam como alternativa ao nacionalismo espanhol de direitas para tentar cortejar o apoio dos outros nacionalistas?

Desde que o galego Pablo Iglesias Posse o fundara, a ideia de Espanha do PSOE enquadrava-se nas margens da federação dos diferentes povos que a componhem. Essa ideia chegou a ser compartilhada durante a II República polos nacionalistas galegos –Castelão o seu paradigma-, polos nacionalistas catalães e também polos nacionalistas bascos. Intelectuais espanholistas da época vinham dizendo que se havia um país que por natureza devesse ser federal, era a Espanha, para lhes poder dar encaixe aos povos aglutina. Com efeito, essa época foi, em comparação com o totalitarismo e com o integrismo que vinheram depois, duma evolução conceptual sem precedentes. Na actualidade esse discurso do PSOE perdeu força e embora esta ideia constitui uma das bases teóricas do partido, a defesa real a nível estatal apenas é feita polos comunistas de Izquierda Unida.

No seio do PSOE existem pessoas mui claramente comprometidas com a ideia da federação, sendo a mais conhecida de todas elas Pasqual Maragall, ex-alcaide de Barcelona e actual presidente do Governo catalão. Maragall é uma dessas raras aves da política espanhola capazes de militar num partido nacional –espanhol- e questionar a ideia –falaz- da Espanha-nação, falando com absoluta naturalidade –desde antes de se coligar com os republicanos catalães- da nação catalã. Mas, como acima se diz, uma nação catalã –que tem de ser respeitada como tal- formando parte da Espanha. Ou seja, mui castelaniano. Na linha de Maragall temos no País Basco a Odón Elorza, alcaide de São Sebastião, como nas Ilhas Baleares tenhem ao ex-presidente da comunidade, Francesc Antich, ou na Galiza a Emilio Pérez Touriño, secretário geral dos socialistas galegos.










Odón Elorza





Pasqual Maragall





Emilio Pérez Touriño




Porém, uma das características deste partido é a de ser quem de defender ao mesmo tempo uma cousa mais o seu contrário, conseguindo aglutinar votos de mui diversas procedências. Cada vez ganha mais força a linha decididamente espanholista, que tem na Galiza o seu paradigma no alcaide da Crunha, Francisco Vázquez, e fora daqui nos presidentes de Castilha-A Mancha –José Bono- e no da Estremadura –Juan Carlos Rodríguez Ibarra-. A força vem-lhes polos seus êxitos políticos -o alcaide da Crunha é, dos de todo o Estado, quem mais tempo leva no seu posto; mentres que os outros dous são os mais veteranos dos presidentes autonómicos (desde 1983)-, mas também polos nacionalistas espanhóis, que como bons nacionalistas anteponhem a sua ideia da Espanha à dinâmica entre direitas ou esquerdas.

Precisamente este dilema conceptual será o que o PSOE tem de aclarar para que os partidos nacionalistas saibam a que se ater. Possivelmente os nacionalistas galegos estejam –e com razão- já fartos polas traições sofridas no nosso país. Com os nacionalistas bascos terão-no impossível de continuarem a estratégia de confrontação encetada com o apoio do PP. A respeito dos nacionalistas catalães, terão o apoio de ERC, sócios no governo catalão, mas não semelha que vaiam ter o de Convergència i Unió –que são os que realmente tenhem força para fora-. Os derradeiros que podem ter algo que dizer são os catalanistas de Valência –que possivelmente os vaiam a apoiar- e os canários –sócios incondicionais do PP-. O tempo corre aginha, e os rumores de que tanto Bono como Ibarra podem ter bastante força num hipotético governo socialista –possivelmente como ministros- seriam bons para ganhar o eleitorado espanholista, mas a chave está na mão dos partidos nacionalistas. E já se sabe, melhor mau conhecido que bom por conhecer.










Francisco Vázquez





José Bono





J. C. Rguez. Ibarra







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A reivindicação e defesa do norte de Portugal

JOÃO CARLOS GUISÃO
(GALIZA)



Entre duas nações
O norte de Portugal é uma formosa terra intimamente ligada a duas nações. Por uma banda, a nação dos galegos, pois na origens do país de nosso esta região constituía o extremo sul onde, ademais, se achava a cidade que os suevos erigiram como capital do seu reino e do que mais tarde seria o Reino da Galiza: Braga, a Brácara Augusta dos tempos romanos. Mas está, sobretudo, unida à nação dos portugueses, pois este território é, com efeito, o território português por excelência ao ter sido o berço do país após da divisão da Galiza. E esse Pequeno Portugal fizo-se grande e cara o sul levou a língua com a que anos antes esses primeiros portugueses de país falavam com os seus vizinhos de aquém Minho; e dum reduto originar do noroeste ibérico passou a ser a língua dum vasto império, conseguindo-se assim a universalização duma língua que sempre foi grande pola sua diversidade.

A marginalização do norte
Mas ao mesmo tempo que Portugal se fizo grande, a capital –e com ela a variante da língua considerada como mais ajeitada para a produção cultural- foi-se deslocando cara o sul, coma se quigesse reafirmar assim a sua autonomia a respeito da terra à que desde as mais remotas origens estivera ligada. Foi esta uma atitude legítima, mas foi provocando a marginalização do Pequeno Portugal inscrito no Grão Portugal. Até tal ponto foi isto assim, que a poderosa maquinaria lisboeta encetou um processo de uniformização da língua do país... à lixboeta. E então, um anicrou –pícaro, gambim, meninho, neno, garoto...- de Chaves já sente vergonha de falar o seu correctíssimo português –tão correcto coma quaisquer outras variedades diatópicas da língua portuguesa- e dá-lhe polo que lhe ensinárom na escola: a “falar bem”. E então passa de ser de ‘Tchabeç’ a ser de ‘Xavex’, porque os de ‘Tchabeç’ não contam na Grão República. E tem de mercar ‘livggrox’ para ‘excola’, e ‘laite’ para que tome o pequeno almoço o seu irmão menor. E para quem mora na Galiza –inscrita no Reino Unitário da Espanha- resulta surpreendente que num país tão intolerante lingüisticamente como é a Espanha se gabem tanto eles das múltiplas variedades que há do castelhano, defendendo-as como monstra da diversidade da sua língua e do mais enxebre –castizo, diriam lá-. Mas em Portugal, infelizmente, não é assim, e mesmo se ridiculiza aos que falam o português com um sotaque diferente do que marca o padrão que dilucida o que é culto do que não. Em Portugal é motivo de mofa falar com o sotaque do norte, pior que se fosse com sotaque brasileiro –que tampouco gosta, mentres que na Espanha ficam encantados com o sotaque argentino-, apesar de ser mais uma variedade da mesma língua.

Comportamentos erróneos
Estando tudo como está, não lhe pode estranhar a ninguém que existam movimentos de defesa e de reivindicação do norte, mesmo reclamando uma autonomia que palie a marginalização política e poda ajudar a um maior dinamismo da euro-região que conforma com a Galiza do Reino Unitário da Espanha, euro-região que, com um maior apoio institucional desde as duas margens do rio que faz de pseudo-fronteira, poderia chegar a ser um importante foco económico como bem evidenciou X. López Facal [1].
Porém, a defesa e reivindicação do norte não é o insulto ou menosprezo às terras sitas ao sul como pretendem os indivíduos de muitos grupos, associações, colectivos, etc. mui variados e que até tenhem em Internet tenhem um exponente mui engraçado –o Mobimento Cíbico Portucalense-. Geralmente compartilham três pontos:

  • Desvirtuação da luita doutras pessoas que realmente agem a prol do norte ao utilizar o insulto e mais a desqualificação como armas.
  • Invenção duma ortografia a-histórica que reflecte a fala do norte... desde o espelho da codificação do sul!
  • Partindo da consideração do norte de Portugal como uma nação e ao mais puro estilo dalguns ‘nacionalistas’, criam uns límites para a sua naçaum/naçom mais ideais do que fieis à realidade, e que geralmente são do Douro a maioria e do Mondego outros cara o norte até abrangerem também a Galiza espanhola. Quer dizer, o Portugale como ele deberia sere, com um baile de capitais –Coimbra, Porto, Braga- que evidencia um carácter localista e pouca seriedade.


Algumas ideias ao respeito
Numa sociedade tão burocratizada como esta na que vivemos, quaisquer actuações ou iniciativas favoráveis ao norte de Portugal tenhem de surgir dos poderes políticos da República Portuguesa. Mui possivelmente um primeiro passo seja a descentralização administrativa, quer dizer, a transferência de poder político desde Lisboa cara os diferentes territórios da República para os dotar de capacidade de manobra encaminhada à elaboração de projectos de dinamização económica, social e cultural que lhes permitam a todos/as os/as portugueses e portuguesas estarem orgulhosos da sua terra natal e do seu país. A descentralização administrativa adquire pleno sentido num país uninacional como Portugal, onde não existe nengum perigo –nem legítimo nem ilegítimo- de disgregação. No entanto, também o sistema educativo tem de agir para evitar que no seio dum país tão rico desde a sua inquestionável unidade se veja a singularidade como elemento a banir ou como motivo de burla. Com certeza, pode e tem de haver um outro Portugal realmente digno de levar esse nome, ainda que só seja por respeito às suas origens. E nesse Portugal –sem prejuízo doutras regiões do país- tem um especial oco o Pequeno Portugal.

[1] Artigo de Xan López Facal. Revista TEMPOS Novos, número 77.


O norte de Portugal, uma terra ligada a duas nações.




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09 janeiro 2004

Fé de erros

O 16 de dezembro de 2003 -terça-feira- anunciou-se aqui que as segundas-feiras seriam dias dedicados a Castelão. Como se pode observar é um erro, sendo, pois, as terças-feiras os dias dedicados à memória do intelectual rianjeiro.


As terças-feiras de Pensa Galiza estarão dedicadas a Castelão.



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Às voltas com 'La Coruña'

Depois das férias, anda correio atrasado do Natal e um acha surpresas certamente más, como a intenção do alcaide 'socialista' da Crunha de utilisar a Ley de Grandes Ciudades para cambiar o topónimo oficial A Coruña por La Coruña. Se o fizesse, e ao amparo dessa lei, em todos os textos oficiais redigidos no que lá chamam 'galego' -pseudo-galego seria melhor- até teriam de pôr La Coruña, que seria a única denominação oficial no Reino da Espanha... Acreditamos que Touriño teria fazer algo com Vázquez. Por mor de informar sobre disto queda adiado para a segunda-feira o artigo de J. C. Guisão a respeito da reivindicação de autonomia para o norte de Portugal, A desvirtuação da reivindicação.

Vázquez estuda cambiar o nome da cidade para só usar La Coruña


"(...)
Para implantar o 'L', o alcaide pode tomar como aliada a Ley de Grandes Ciudades, normativa que ontem entrou em vigor e que dá potestade aos concelhos para alterarem o topónimo dos municípios, sempre que contem com o respaldo da mairoia absoluta, requisito que cumprem os socialistas ao terem 14 dos 27 edis (...).

Vázquez explicou (...) que ainda quedam por diante seis meses de praço para se acolher ao artigo 47 da nova normativa (...).

A Ley de Grandes Ciudades entra em cena ano e meio depois de que o Tribunal Constitucional desestimasse o recurso presenteado polo Concelho para utilisar o nome 'tradicional' da cidade -depois de que o Supremo o instasse a usar A Coruña como único topónimo oficial-.(...)".



Até o de agora, a única forma oficial é A Coruña.


Clicando aqui pode-se aceder ao texto original íntegro.


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